Plano de Saúde: Prazos de Carência que Você Precisa Conhecer

Givanildo Albuquerque

CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

5 min de leitura

Você contrata o plano de saúde e, na hora de usar, descobre que ainda não pode marcar aquela cirurgia ou aquele exame. Não é pegadinha da operadora: é a carência, o período inicial em que o plano ainda não cobre determinados procedimentos.

A carência é o tempo que você precisa esperar após a contratação para começar a usar certos serviços do plano de saúde. Os prazos têm limites definidos pela ANS, mas variam conforme o tipo de contratação, e existem situações em que você pode ficar isento de carência, principalmente ao migrar de plano ou sair de um emprego.

Prazos legais de carência definidos pela ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece os limites máximos de carência que as operadoras podem aplicar. Para casos de urgência e emergência, o prazo máximo é de 24 horas a partir da contratação.

Para os demais procedimentos, a ANS fixa prazos-padrão que a operadora não pode ultrapassar. O mais comum no mercado é a carência de 24 horas para urgência e emergência, 30 dias para consultas e exames simples, 60 dias para cirurgias e até 180 dias para partos. Para doenças ou lesões preexistentes declaradas, a Cobertura Parcial Temporária (CPT) pode suspender procedimentos de alta complexidade por até 24 meses.

Na prática, a carência é a forma que as operadoras têm de se proteger contra quem contrata o plano já doente, usa o que precisa e cancela em seguida. É um mecanismo de equilíbrio financeiro do sistema, e por isso a lei permite esse período de espera, mas sempre dentro dos limites regulados.

Como funciona a carência por tipo de contratação

A carência não é igual para todo mundo. Ela depende de como o plano foi contratado, e isso muda bastante o que você pode esperar ao assinar o contrato.

  • Plano individual ou familiar: a carência se aplica conforme as regras do contrato, dentro dos limites da ANS. Prazos de 30, 60 e 180 dias são os mais frequentes.
  • Plano coletivo empresarial: a operadora pode, em muitos casos, reduzir ou até isentar a carência, principalmente quando a empresa fecha um contrato com número relevante de vidas. Aqui a negociação entre empresa e operadora influencia diretamente.
  • Plano coletivo por adesão: contratado por meio de entidades de classe, sindicatos e associações. As condições de carência dependem do contrato fechado entre a entidade e a operadora.

É exatamente por essa diferença que, antes de assinar, vale comparar não só o preço, mas o que o contrato diz sobre carência. Dois planos com mensalidade parecida podem ter condições de espera bem diferentes, e isso pesa justamente na hora em que você mais precisa usar o plano.

Regras de isenção de carência ao mudar de plano ou sair do emprego

A carência não precisa recomeçar do zero a cada novo plano. Existem duas situações principais em que você pode ficar isento dela.

A primeira é a portabilidade de carências. Se você está num plano e quer trocar para outro, mantendo a mesma operadora ou indo para outra, pode levar consigo o tempo de carência já cumprido, desde que atenda a alguns requisitos, como estar em dia com as mensalidades e ter cumprido um período mínimo no plano anterior.

A segunda é a migração para plano coletivo empresarial ou por adesão após a saída de um emprego. Quando você perde o vínculo empregatício, existe uma janela de 30 dias para ingressar num plano coletivo ou por adesão sem cumprir novas carências. É um prazo curto e fácil de perder de vista em meio à correria de um desligamento, mas que pode representar a diferença entre continuar coberto ou voltar à estaca zero. Esse é um dos pontos mais negligenciados em conteúdos sobre o tema, e é justamente onde o planejamento faz diferença.

Se você quer entender melhor as regras por trás desses prazos, vale conferir este conteúdo sobre carência e dúvidas comuns.

Carência vs. prazos máximos de atendimento da ANS

Aqui mora uma confusão muito comum, e é importante desfazê-la. A carência é o tempo de espera para o serviço passar a ser coberto pelo plano. O prazo máximo de atendimento é outra coisa: é o tempo que a operadora tem para agendar aquele serviço depois que a carência já foi cumprida.

Após o término da carência, a operadora deve garantir atendimento para consultas básicas em até 7 dias úteis e para as demais especialidades em até 14 dias úteis. Ou seja, uma vez liberado o uso, a operadora não pode simplesmente empurrar seu atendimento para um futuro distante.

Entender essa diferença muda a forma como você cobra o plano. Se a carência já terminou e a consulta está demorando mais que o prazo legal, isso é um problema de agendamento, não de carência, e você tem direito de reclamar na operadora e, se necessário, na ANS.

Perguntas frequentes sobre prazos de carência no plano de saúde

O que é carência no plano de saúde?É o período após a contratação durante o qual a operadora não é obrigada a cobrir determinados procedimentos. Ela serve para proteger o equilíbrio do sistema contra quem contrata o plano já doente e cancela logo depois.

Qual o prazo de carência para urgência e emergência?No máximo 24 horas a partir da contratação, conforme determina a ANS.

Posso ficar sem carência ao trocar de plano?Sim, por meio da portabilidade de carências, desde que você atenda aos requisitos, como estar em dia com as mensalidades e ter cumprido o tempo mínimo no plano anterior.

Se eu for demitido, perco a carência já cumprida?Não necessariamente. Você tem até 30 dias após o desligamento para ingressar num plano coletivo ou por adesão sem cumprir novas carências. Passado esse prazo, a isenção deixa de valer.

Qual a diferença entre carência e prazo máximo de atendimento?Carência é o tempo até o serviço passar a ser coberto. Prazo máximo de atendimento é o limite que a operadora tem para agendar o serviço depois que a carência já terminou: até 7 dias úteis para consultas básicas e 14 dias úteis para demais especialidades.

Doenças preexistentes têm carência maior?Sim. Para doenças ou lesões preexistentes declaradas, a Cobertura Parcial Temporária pode suspender procedimentos de alta complexidade por até 24 meses.

Definir os prazos de carência que cada plano oferece é parte essencial da escolha, principalmente quando você está migrando de emprego ou trocando de operadora. Ao comparar planos de saúde, coloque a carência lado a lado com o preço: um plano só é barato de verdade se você não ficar descoberto justo quando precisar dele.

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CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

CEO da LeadMark desde 2012, com 15 anos no mercado de saúde suplementar. Gero +60k leads de plano de saúde por mês para 30 mil corretores em todo o Brasil. Escrevo sobre preço, carência, rede credenciada e sobre como vender plano de saúde.

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