Pós-venda de plano de saúde: os primeiros 90 dias para evitar o cancelamento

Givanildo Albuquerque

CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

6 min de leitura

Você vendeu o plano, entregou a proposta, o contrato foi aprovado. Agora começa a parte que decide se aquele cliente renova com você ou some sem avisar: o pós-venda dos primeiros 90 dias.

Nos três primeiros meses, o corretor deve entregar o kit de onboarding na aprovação, fazer um check-in de ativação por volta do dia 30 e uma verificação de satisfação no dia 90, tudo preferencialmente organizado numa régua de CRM. É esse ritmo de contato proativo, não a espera passiva pelo chamado do cliente, que segura a conta no primeiro trimestre.

Por que os primeiros 90 dias definem se o cliente vai cancelar ou renovar o plano

O primeiro trimestre é quando o cliente de plano de saúde forma a opinião que vai durar o contrato inteiro. É nesse período que ele recebe a carteirinha, tenta marcar a primeira consulta, descobre como funciona reembolso e rede credenciada. Se alguma dessas etapas dá errado e ninguém aparece para resolver, a insatisfação começa a ser associada a quem vendeu o plano.

Um dado que reforça essa atenção: 12% dos cancelamentos de planos de saúde acontecem por insatisfação com o atendimento do corretor, não com a operadora. Ou seja, cancelamento precoce nem sempre é questão de preço. Muitas vezes é ausência de relacionamento.

Existe uma ideia comum e errada de que, se o cliente não chamou no WhatsApp nos primeiros meses, está tudo bem. Na prática, cliente em silêncio costuma ser cliente que está penando sozinho com a operadora ou, pior, já olhando o plano do concorrente. O silêncio não é sinal de satisfação, é sinal de que ninguém tomou a iniciativa do contato.

Dia 0 (D0): O kit de onboarding para entregar no momento da aprovação do contrato

O onboarding começa na hora em que a operadora aprova a proposta, e não depois da instalação. Esse é o momento de maior empolgação e atenção do cliente, e também o de maior ansiedade. Ele quer saber o que acontece agora, quando chega a carteirinha e o que pode usar de imediato.

Monte um kit simples e direto, com os itens que o cliente realmente vai consultar: o resumo do plano contratado com as carências, a lista da rede credenciada mais próxima, os canais de atendimento da operadora e o seu próprio contato de emergência para suporte. Entregue isso por WhatsApp ou e-mail logo após a aprovação, com uma mensagem curta explicando o que é cada coisa.

Nesse contato de D0, é importante reforçar por escrito o que foi combinado na venda. O que o corretor promete verbalmente vincula a oferta e integra o contrato, segundo o artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor. Registrar o combinado no onboarding protege o cliente e também protege você de mal-entendido futuro.

Dia 15 a 30 (D+30): O check-in de ativação para confirmar carteirinha e primeiro uso

Por volta do trigésimo dia, o cliente já deveria ter recebido a carteirinha e, idealmente, feito o primeiro uso do plano. Esse é o momento do check-in de ativação: uma mensagem curta perguntando se a carteirinha chegou, se o acesso ao app da operadora está funcionando e se já conseguiu marcar alguma consulta.

Esse contato tem uma função de triagem. Se o cliente responde que está tudo funcionando, ótimo, você reforça que está disponível para qualquer dúvida. Se responde que a carteirinha não chegou ou que teve problema para usar a rede, você aciona a operadora no lugar dele. É exatamente essa resolução proativa que diferencia o corretor que retém do que só vende e desaparece.

Um erro comum é fazer esse check-in só uma vez e achar que cumpriu a etapa. O registro do que foi conversado importa tanto quanto a conversa. Sem um lugar centralizado para anotar o que o cliente disse, cada novo contato começa do zero. A falta de registro centralizado das solicitações de pós-venda gera dependência de memória e sobrecarrega o atendimento.

Dia 60 a 90 (D+90): A verificação de satisfação e resolução proativa de fricções

No dia 90, o cliente já tem histórico real de uso: sabe se a rede atende bem, se o reembolso saiu como prometido, se encontrou o que precisava. É o melhor momento para uma verificação de satisfação honesta, não um questionário robótico, mas uma conversa objetiva sobre o que funcionou e o que travou.

Faça perguntas que revelem fricção: você conseguiu marcar consulta perto de casa? Teve alguma surpresa com reembolso ou coparticipação? O atendimento da operadora resolveu quando você precisou? Cada resposta negativa é um ponto que você pode atacar agora, no terceiro mês, antes que vire motivo de cancelamento na renovação.

Esse também é o momento de olhar para a carteira inteira e usar o que aprendeu para ajustar o próprio pós-venda. O mapa da jornada do cliente ajuda a enxergar esses pontos de fricção como etapas previsíveis, e não como surpresas que aparecem uma a uma ao longo do ano.

Como estruturar a régua de 90 dias no CRM para automatizar o relacionamento

A régua dos 90 dias só é sustentável se for automatizada. Manter na cabeça quem entrou no D0, quem está no D+30 e quem chegou ao D+90 é inviável quando a carteira cresce. O CRM vira o cérebro do pós-venda, com um pipeline que dispara os contatos na data certa e registra cada resposta.

O fluxo básico funciona com três estágios, avançando o cliente conforme o tempo passa: recém-aprovado, aguardando ativação e em verificação. Cada estágio tem uma ação associada e uma anotação obrigatória depois do contato. Quando o corretor responde o cliente, marca o que foi dito e move o cartão para o próximo estágio, o registro vira histórico, não lembrança.

  1. Estágio D0, recém-aprovado: enviar o kit de onboarding e anotar o combinado da venda.
  2. Estágio D+30, aguardando ativação: mensagem de check-in sobre carteirinha e primeiro uso, registrar a resposta.
  3. Estágio D+90, em verificação: conversa objetiva de satisfação, anotar fricções e pendências para resolver.

Com o registro automatizado, o cancelamento precoce deixa de pegar o corretor desprevenido. A eventual saída do cliente vira exceção que você consegue explicar, não padrão que se repete todo trimestre. Para quem quer transformar esse pós-venda em receita recorrente, vale estruturar a operação completa como linha de venda da corretora, não como atendimento avulso.

FAQ: Pós-venda de plano de saúde nos primeiros 90 dias

Com que frequência devo entrar em contato com o cliente nos primeiros 90 dias? Três contatos estruturados são o mínimo: um no dia da aprovação, um perto do dia 30 e um perto do dia 90. Contatos extras entram apenas quando houver pendência para resolver ou o cliente solicitar.

O cliente não me chamou desde a venda. Devo deixar ele em paz? Não. O silêncio não indica satisfação, indica que ninguém proativamente foi até ele. Um check-in curto por volta do dia 30 evita que um problema não resolvido vire cancelamento silencioso nos meses seguintes.

O que fazer se o cliente reclamar de algo que a operadora não cumpriu no dia 90? Trate como pendência sua, acione a operadora, acompanhe o caso até a resposta e registre tudo no CRM. A insatisfação com o atendimento do corretor responde por parte relevante dos cancelamentos, então a resolução proativa é o que protege a conta.

Preciso de CRM caro para montar essa régua de 90 dias? Não. Uma planilha bem estruturada com os três estágios e datas de disparo cumpre a função no começo. O importante é sair da memória e registrar cada contato e resposta, o que pode ser feito com ferramenta simples antes de investir em sistema completo.

Como o pós-venda nos 90 dias se conecta com a minha receita de corretor? Cliente retido renova carência e comissão, além de indicar novas contas. Entender a comissão na venda de plano de saúde mostra que a retenção alimenta direto o resultado do mês seguinte, então o pós-venda é investimento, não gasto de tempo.

Para quem quer sair do improviso e montar um atendimento pós-venda que de fato segura o cliente de plano de saúde, vale começar com uma estrutura simples de gestão de clientes que registre cada contato desde o dia zero.

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CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

CEO da LeadMark desde 2012, com 15 anos no mercado de saúde suplementar. Gero +60k leads de plano de saúde por mês para 30 mil corretores em todo o Brasil. Escrevo sobre preço, carência, rede credenciada e sobre como vender plano de saúde.

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