ANS amplia direito à portabilidade de carências: como trocar de plano

Givanildo Albuquerque

CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

6 min de leitura

Você não precisa mais esperar o aniversário do contrato nem recomeçar do zero em outro plano para manter o que já conquistou. A ANS mudou as regras da portabilidade de carências e muita gente ainda não percebeu o tamanho dessa virada.

A portabilidade de carências permite que você mude de plano de saúde sem cumprir novamente os prazos de carência ou a Cobertura Parcial Temporária (CPT) no plano de destino, de acordo com a regra da ANS. Na prática, é uma porta para trocar de operadora levando junto o tempo que você já acumulou.

Como funciona a portabilidade de carências nos planos de saúde

A ideia central é simples: a carência que você já cumpriu no plano atual não se perde quando você troca para outro plano. Em vez de recomeçar a contagem do zero, o novo plano reconhece os prazos já vencidos, desde que as condições previstas pela ANS sejam atendidas.

Isso vale tanto para as carências normais quanto para a Cobertura Parcial Temporária, aquela fase em que o plano ainda não cobre integralmente procedimentos de maior complexidade. A portabilidade de carências existe justamente para reduzir essa barreira e dar mais liberdade de escolha ao beneficiário.

Existe também a chamada portabilidade especial de carências, aplicada em situações específicas, como quando a operadora encerra contrato ou há mudança no vínculo do beneficiário. Ela segue regras próprias, que você vê mais adiante, e em alguns casos dispensa certos requisitos como a compatibilidade de preço.

Requisitos e prazos mínimos de permanência no plano de origem

Nem todo beneficiário pode pedir a portabilidade a qualquer momento. Uma das condições centrais é o prazo mínimo de permanência no plano de origem. A regra geral exige que você esteja no plano atual há um tempo mínimo, que varia conforme o tipo de contrato e se você já usou a portabilidade antes.

Além do tempo de permanência, é preciso estar com as mensalidades em dia no plano de origem. A lógica é impedir que a portabilidade vire um atalho para escapar de inadimplência ou para contornar carência em sequência, pulando de plano em plano sem nunca cumprir prazos.

Vale lembrar também que o direito alcança quem está em planos coletivos. A regulamentação da ANS estendeu a portabilidade aos planos coletivos empresariais, o que antes ficava restrito a parte dos contratos. Isso ampliou bastante o público alcançado.

Fim da janela de aniversário e regras de compatibilidade de preço e cobertura

Por muito tempo, a portabilidade ficou presa à chamada janela de aniversário: você só podia solicitar a troca no mês correspondente ao aniversário do contrato. A nova regulamentação eliminou essa janela, e hoje a solicitação pode ser feita em qualquer mês do ano.

Quanto à compatibilidade, há uma confusão comum. A portabilidade não exige que o plano de destino tenha a mesma cobertura assistencial do seu plano atual, segundo a análise sobre as regras de portabilidade. O que se exige é a compatibilidade de faixa de preço: o plano de destino precisa estar numa faixa de preço igual ou inferior à do plano de origem.

Essa distinção importa na prática. Você pode trocar para um plano com cobertura diferente, desde que o preço não suba de faixa. Não dá, por exemplo, para migrar de um plano mais barato para um muito mais caro esperando zerar as carências.

Passo a passo para emitir o relatório no Guia ANS e trocar de plano

O fluxo atual começa pelo Buscador de Planos de Saúde da ANS, onde você consulta os planos compatíveis com o seu. Ali é gerado um relatório de compatibilidade, um documento que indica quais planos de destino aceitam receber você sem novas carências.

Esse relatório tem validade limitada e precisa ser usado dentro do prazo. Depois de escolher o plano, você leva o relatório e a documentação à operadora de destino, que então analisa o pedido e tem um prazo definido para dar a resposta.

  1. Acesse o Buscador de Planos de Saúde no portal da ANS e informe os dados do seu plano atual
  2. Confira a lista de planos de destino compatíveis com a sua faixa de preço
  3. Gere o relatório de compatibilidade e guarde o número do protocolo
  4. Apresente o relatório à operadora de destino junto com a documentação de vínculo e de adimplência
  5. Acompanhe a análise e a resposta da operadora dentro do prazo regulamentar

Se tudo estiver dentro dos critérios, a troca acontece sem que você precise cumprir carência novamente para aquilo que já estava liberado no plano anterior. É um processo mais burocrático do que difícil, mas exige atenção aos prazos de validade de cada etapa.

Para quem quer entender o passo a passo com mais profundidade e comparar situações, vale consultar este guia de portabilidade que detalha os cenários.

Portabilidade especial: regras para cancelamento, demissão e falecimento

Há situações em que o beneficiário perde o vínculo com o plano sem ter escolhido isso: o contrato coletivo foi cancelado pela empresa, ele foi demitido ou o titular faleceu e os dependentes precisam continuar com cobertura. Nesses casos, existe a portabilidade especial de carências.

A portabilidade especial funciona como uma proteção para quem ficaria descoberto repentinamente. Nessas hipóteses, a exigência de compatibilidade de preço pode ser dispensada, justamente porque a situação não decorre de uma escolha livre do beneficiário, mas de uma ruptura involuntária do vínculo.

Em caso de demissão, o trabalhador que tinha plano empresarial pode usar essa modalidade para ingressar em outro plano sem cumprir novas carências. O mesmo vale para dependentes quando o titular morre. O ponto comum é que o prazo para exercer esse direito costuma ser mais curto, então vale agir rápido.

Se a sua situação envolve demissão, cancelamento de contrato coletivo ou falecimento do titular, o melhor caminho é confirmar os prazos vigentes diretamente com a operadora de destino e com a ANS, já que essas regras mudaram com frequência nos últimos anos.

FAQ: Portabilidade de carências na ANS

Ainda preciso esperar o mês de aniversário do contrato para pedir a portabilidade? Não. A janela de aniversário foi eliminada e hoje a solicitação pode ser feita em qualquer mês do ano.

Quem está em plano coletivo empresarial tem direito à portabilidade? Sim. A regulamentação da ANS estendeu a portabilidade de carências aos planos coletivos empresariais, o que ampliou o acesso a esse direito.

Posso migrar para qualquer plano mais caro sem cumprir carência? Não. A portabilidade exige compatibilidade de faixa de preço: o plano de destino precisa estar em faixa igual ou inferior à do plano de origem, ainda que a cobertura assistencial possa ser diferente.

Se você quer enxergar as opções de plano de saúde com mais clareza e ver como a portabilidade se encaixa na sua situação, dá para comparar os cenários antes de decidir.

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CEO da LeadMark · Especialista em planos de saúde

CEO da LeadMark desde 2012, com 15 anos no mercado de saúde suplementar. Gero +60k leads de plano de saúde por mês para 30 mil corretores em todo o Brasil. Escrevo sobre preço, carência, rede credenciada e sobre como vender plano de saúde.

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