Google Ads

Google quer IA criativa para diferenciar marcas, não para padronizar anúncios

· Givanildo Albuquerque

O Google sinalizou em 6 de maio de 2026 que a IA generativa (tecnologia que cria textos, imagens e vídeos a partir de comandos) dentro do Google Ads (plataforma de anúncios do Google) deve ampliar a diferenciação entre marcas, e não empurrar o mercado para anúncios iguais. A mensagem central é simples: a automação vai produzir mais combinações de peças, páginas e mensagens, mas a direção estratégica continua sendo responsabilidade do anunciante, com novos controles como diretrizes de texto, orientação de marca, briefs de IA e limites para expansão de URL final. Na prática, isso muda o jogo para pequenas e médias empresas porque o desempenho tende a depender menos de uma peça “campeã” e mais da capacidade de testar várias versões por público, intenção e etapa da jornada, sem perder coerência de posicionamento.

O recado veio de um episódio recente do Ads Decoded, podcast do próprio Google, em resposta ao medo de que o uso massivo de IA deixe os anúncios com “cara de fábrica”. Em vez de negar a preocupação, o Google defendeu que a IA só vira commodity quando a marca entrega insumos genéricos.

Isso ajuda a explicar por que o discurso da empresa está migrando de “automatize mais” para “alimente melhor a automação”. Para quem já sentiu na prática uma campanha Google Ads sem resultado, o ponto é direto: sem diferenciação de oferta, linguagem e página, a IA acelera volume, mas não corrige estratégia fraca.

Mudança sinalizada pelo GoogleDado concretoO que isso muda na prática
Mais controle sobre texto gerado por IAAté 40 diretrizes de texto por campanhaA marca consegue limitar linguagem inadequada e alinhar tom
Mais combinações criativasVariações de headlines, descrições, páginas e formatosO foco sai da peça única e vai para cobertura de cenários
Mais personalização por públicoDiferentes mensagens para diferentes audiênciasA campanha tende a ganhar relevância sem depender de um único anúncio
Mais uso de vídeo com apoio de IAUpload de até 3 imagens para gerar vídeos curtosPequenas empresas reduzem barreira de produção criativa

Sim, o Google está devolvendo mais controle de marca ao anunciante, com até 40 diretrizes de texto por campanha

O sinal mais importante da notícia é esse: automação sem supervisão deixa de ser argumento forte. Segundo o Google, agora é possível definir até 40 diretrizes de texto por campanha para orientar os ativos gerados por IA, o que inclui restrições de linguagem, posicionamento e descrições que a marca não quer usar.

Isso importa porque muito negócio evita recursos automáticos por medo de promessas exageradas, tom artificial ou mensagens fora do posicionamento. Se esse controle for bem aplicado, a IA passa a funcionar mais como escala operacional e menos como atalho criativo.

O erro seria interpretar isso como “liberação para automatizar tudo”. Diretriz demais sem estratégia gera bloqueio, mas diretriz de menos faz a campanha perder identidade, especialmente em contas que já tentam usar IA para otimizar Google Ads sem um padrão claro de oferta, prova e linguagem.

Sim, o Google quer mais variedade de anúncios e páginas, porque a otimização agora depende de combinações

Outro ponto forte do episódio foi a defesa explícita de diversidade criativa. O Google citou múltiplos anúncios responsivos de pesquisa (formato que combina títulos e descrições automaticamente), diferentes landing pages (páginas de destino), várias proporções de imagem e mensagens adaptadas para públicos distintos dentro do mesmo esforço de mídia.

Esse detalhe parece técnico, mas afeta orçamento. Em vez de apostar tudo em um anúncio e uma página, o anunciante passa a competir com um sistema que cruza sinais de intenção, contexto de busca, ativo criativo e página de destino em tempo real.

Na prática, isso aumenta a importância de estrutura. Se a empresa ainda trata conversão como clique ou formulário enviado sem qualificação, vale revisar o que é conversão antes de escalar testes, porque mais combinações sem critério de resultado só ampliam ruído.

Sim, vídeo curto tende a ficar mais barato de produzir, com geração a partir de até 3 imagens

O Google também reforçou a integração do Veo com o Asset Studio, indicando que anunciantes poderão enviar até 3 imagens para gerar múltiplas variações de vídeo curto. Para empresas que nunca tiveram equipe interna de vídeo, isso reduz tempo, custo e dependência de produção manual para alimentar YouTube e Demand Gen (campanhas focadas em descoberta e consideração em ambientes visuais do Google).

Isso não significa que qualquer vídeo vai performar. Significa que a barreira de entrada cai, então a vantagem competitiva migra para roteiro, proposta de valor e clareza da oferta.

Para negócios locais e empresas de serviço, isso pode abrir espaço para testar prova social, bastidores, diferenciais de atendimento e objeções em formatos mais leves. O risco é produzir variações em escala de uma mensagem fraca, o que faz o problema crescer mais rápido.

O que fazer agora para testar sem desperdiçar verba

  1. Definir 3 a 5 mensagens centrais da marca antes de abrir recursos de IA, separando promessa, prova, objeção e chamada para ação.
  2. Criar diretrizes de texto objetivas, incluindo termos proibidos, benefícios prioritários e limites de posicionamento comercial.
  3. Subir pelo menos 2 versões de página para intenções diferentes, como busca por preço, comparação e urgência.
  4. Testar criativos por estágio de jornada, em vez de repetir a mesma peça para todo público.
  5. Medir qualidade de lead e custo por oportunidade, não só clique e volume de formulário.

A leitura correta da notícia não é “o Google resolveu o criativo com IA”. A leitura correta é: o Google quer mais ativos, mais páginas e mais sinais para a máquina combinar, então marcas com estratégia clara tendem a ganhar eficiência, enquanto marcas genéricas tendem a escalar mediocridade.

Para donos de negócio, isso muda a rotina de gestão. A vantagem deixa de estar apenas em escrever um bom anúncio e passa a estar em organizar repertório de mensagens, ofertas e páginas que a automação consiga recombinar sem descaracterizar a marca.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.