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Google Marketing Live 2026: IA toma conta de todas as campanhas

· Givanildo Albuquerque

O Google Marketing Live 2026 confirmou o que o mercado já antecipava: a IA generativa deixou de ser um recurso extra e virou o coração da plataforma de anúncios. O evento apresentou uma coleção de novas soluções que automatizam desde a criação de criativos até a alocação de orçamento entre canais, com foco em Search, YouTube e Performance Max (campanhas que rodam em todos os inventários do Google ao mesmo tempo). Para quem anuncia, a mudança é estrutural: o controle granular sobre palavras-chave e públicos perde espaço para sinais de negócio, criativos diversos e dados próprios bem organizados. Quem não adaptar a operação nos próximos meses vai ver o CPL (custo por lead) subir enquanto concorrentes capturam intenções com a ajuda dos modelos do Google.

O anúncio reúne dezenas de features que estavam em beta restrito e agora começam a ser liberadas globalmente. A linha condutora é clara: o Google quer que o anunciante traga o objetivo, os dados e a marca — e deixe o algoritmo cuidar de targeting, lance e formato.

Para o mercado brasileiro, o impacto é imediato em três frentes: criativos automáticos em escala, expansão de IA nos formatos de busca (AI Overviews com anúncios) e novas opções de medição que tentam compensar a perda de cookies.

Os 4 eixos do anúncio

A apresentação se organizou em quatro grandes eixos. A tabela abaixo resume o que muda em cada um:

EixoO que foi anunciadoImpacto para o anunciante
CriaçãoGeração de imagens, vídeos e textos via IA dentro do AdsReduz dependência de agência criativa para variações
PerformancePerformance Max com sinais de marca e exclusões aprimoradasMais controle sobre onde o algoritmo gasta
MediçãoConversões reforçadas com IA e modelagem de dados própriosCompensa perda de cookies de terceiros
DiscoveryAnúncios em AI Overviews e novos formatos no YouTube ShortsCaptura intenção em superfícies com IA generativa

Criativos gerados por IA viram padrão

A novidade que mais mexe com o dia a dia é a geração automática de imagens e vídeos curtos diretamente na interface do Google Ads. Em testes internos divulgados pelo Google, anunciantes que ativaram criativos gerados por IA tiveram aumento médio de 12% em conversões em Performance Max.

O fluxo é simples: o anunciante sobe alguns ativos da marca (logo, paleta, 2-3 fotos de referência) e o sistema produz dezenas de variações otimizadas para cada formato. Vídeos curtos de até 15 segundos são montados a partir de imagens estáticas, com trilha e legendas automáticas.

Isso muda a economia de produção. Antes era preciso briefar uma agência ou freelancer para cada variação. Agora, o trabalho criativo desloca-se para o brand guideline e para a curadoria do que o algoritmo gera. Quem já estrutura bem a campanha Google Ads sem resultado sai na frente, porque a IA precisa de objetivos claros e ativos limpos para entregar bons criativos.

AI Overviews ganham anúncios — e isso muda a SERP

O Google confirmou que os AI Overviews (aqueles resumos gerados por IA no topo da busca) vão exibir anúncios em queries comerciais. O formato já está em teste nos EUA e deve chegar ao Brasil ao longo de 2026.

Na prática, a SERP (página de resultados) ganha mais uma camada acima dos resultados orgânicos e dos anúncios tradicionais. Quem está fazendo consultoria SEO precisa entender que a visibilidade orgânica vai ser ainda mais comprimida — e que aparecer dentro do próprio AI Overview, seja como citação orgânica ou como anúncio, vira o novo topo de funil.

Algumas implicações:

  1. CPCs em queries informacionais comerciais devem subir 15-25% no curto prazo
  2. Conteúdo otimizado para entity SEO tem mais chance de ser citado pelo AI Overview
  3. O CTR (taxa de clique) dos resultados orgânicos abaixo do dobra cai — estudos iniciais mostram quedas de 30-40%
  4. Páginas que conquistam featured snippet saúde e respostas diretas viram fonte preferida do modelo

Medição com dados próprios é a nova obrigação

O terceiro grande pilar é medição. O Google reforçou que o futuro é first-party data (dados próprios, coletados com consentimento). As novidades incluem importação automática de conversões offline, modelagem com IA para preencher lacunas de cookies bloqueados e integração nativa com CRMs.

O recado para quem anuncia em planos de saúde, serviços e B2B é direto: sem dados próprios bem organizados, o algoritmo do Google passa a otimizar no escuro. Estruturas como o modelo de estrutura de campanha plano de saúde precisam ser revisadas para garantir que todas as conversões — incluindo as offline — voltem para o Ads.

O Google estima que anunciantes com conversões reforçadas (Enhanced Conversions) ativas recuperam 20% das conversões perdidas por bloqueio de cookies.

Como se preparar nos próximos 90 dias

A janela para se adaptar é curta. Lista de prioridades:

  1. Auditar tag e conversões: garantir que todas as ações de valor (lead, venda, ligação) estão sendo registradas via GA4 + Google Ads
  2. Ativar Enhanced Conversions: subir hash de email/telefone dos leads para o Google fechar o loop
  3. Organizar ativos criativos: 5 logos em variações, 10 fotos de produto/serviço, 3 vídeos verticais
  4. Estudar Performance Max com sinais: aprender a usar audience signals e exclusões para guiar o algoritmo
  5. Mapear queries de AI Overview: identificar buscas comerciais do seu nicho que já mostram resumo gerado
  6. Investir em conteúdo first-party: blog, newsletter, CRM — o algoritmo vai favorecer quem traz dados próprios

Para negócios menores, vale focar primeiro nos itens 1 e 2 — sem medição confiável, qualquer novidade de IA do Google é dinheiro jogado fora. Aprender a usar IA para otimizar Google Ads deixa de ser diferencial e vira pré-requisito operacional.

O que ninguém comentou no palco

O Google evitou tocar em um ponto que preocupa anunciantes experientes: a transparência. Quanto mais o algoritmo decide sozinho onde gastar, menos visibilidade o anunciante tem sobre onde o dinheiro realmente foi parar.

Performance Max ainda esconde dados de placements e termos de busca. Com a nova leva de automação criativa, o anunciante passa a não saber nem qual variação de imagem gerou a conversão. Isso cria um problema clássico: ótimo CPL no curto prazo, mas dificuldade de aprender e otimizar manualmente quando os números começam a piorar.

A recomendação é segmentar testes: rodar 70% do orçamento em Performance Max com IA total e 30% em campanhas tradicionais (Search com palavras-chave exatas, por exemplo) para manter um benchmark de comparação e preservar aprendizado da equipe.

Fonte: Google Marketing Live 2026 Collection — Google Ads Blog

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.