Google Ads

Google libera mais controle no AI Max com briefing por IA e avisos obrigatórios no anúncio

· Givanildo Albuquerque

O Google anunciou duas mudanças no AI Max para Search (pacote de automação para campanhas de busca) que atacam um problema antigo de quem anuncia: usar inteligência artificial sem perder controle sobre mensagem, segmentação e regras do negócio. A primeira é o AI Brief, um campo em linguagem natural que permite orientar a IA sobre o que dizer, o que evitar e para quem falar; a segunda é o Text Disclaimer, um aviso obrigatório que passa a funcionar junto com o Final URL Expansion (expansão automática da URL final), algo especialmente relevante para mercados com exigência legal e comercial mais rígida. Na prática, isso reduz a distância entre campanhas muito manuais e campanhas mais automatizadas: o anunciante ganha mais governança sobre o texto, sem precisar abrir mão da escala. Para empresas que dependem de lead qualificado, isso pode significar menos ruído na mensagem e menos risco de tráfego desalinhado.

O anúncio foi publicado pela Search Engine Journal com base na novidade liberada pelo Google para AI Max. Em paralelo, a documentação oficial do Google Ads ajuda a entender por que isso importa: o próprio Google afirma que anunciantes que ativam o AI Max em campanhas de Search costumam ver, em média, 14% mais conversões ou valor de conversão em CPA/ROAS parecido.

O ponto central não é só “mais IA”. O ponto central é a tentativa do Google de tornar a automação aceitável para contas que sempre travaram em três frentes: texto sensível, exigência de aprovação interna e medo de abrir demais a correspondência entre busca, anúncio e página.

RecursoO que fazDado concretoImpacto prático
AI BriefPermite orientar a IA com instruções em linguagem naturalrollout inicial em inglês para campanhas de SearchMais controle sobre mensagem, público e termos a evitar
Text DisclaimerGarante a exibição de texto obrigatório no anúnciolimite de 90 caracteres por disclaimerAjuda setores regulados a usar automação com menos risco
Final URL ExpansionEscolhe a URL mais relevante dentro do sitejá era compatível com AI Max, mas tinha restrição prática de compliancePode aumentar aderência entre busca e landing page
AI MaxConjunto de recursos de automação para SearchGoogle cita ganho médio de 14% em conversões/valorMais escala, desde que a conta tenha controle e medição decentes

AI Brief: sim, o Google está devolvendo parte do controle criativo ao anunciante, e isso importa porque o AI Max promete 14% mais conversões em média

O AI Brief funciona como um briefing operacional dentro da campanha. Em vez de depender só de histórico, ativos existentes e sinais de comportamento, o anunciante passa a dizer explicitamente o que a IA deve priorizar em três áreas: mensagem, correspondência de buscas e público.

Na prática, isso reduz um dos maiores incômodos da automação: a sensação de que a máquina “interpreta” o negócio sozinha. Para quem vende serviço de maior ticket, tem objeções delicadas ou precisa filtrar lead ruim, esse tipo de instrução tende a ser mais útil do que simplesmente adicionar mais palavras-chave.

O ganho real aqui não é escrever bonito, mas impor limites. Se a campanha precisa evitar certas promessas, destacar uma condição comercial específica ou falar com um perfil de cliente mais qualificado, o AI Brief pode virar uma camada intermediária entre estratégia comercial e execução automatizada.

Isso também conversa com um problema comum de contas que parecem rodar bem, mas geram contato fraco. Quando a mensagem abre demais, o volume sobe e a qualidade cai. Vale revisar conceitos como o que é conversão e entender por que muitas vezes a campanha não está “sem resultado”, mas sim convertendo o tipo errado de demanda, como explicado em campanha Google Ads sem resultado.

Text Disclaimer: sim, agora dá para usar aviso obrigatório com automação, e o limite é de 90 caracteres

O Text Disclaimer resolve um entrave bem objetivo: a necessidade de garantir que um texto obrigatório apareça no anúncio mesmo quando a campanha usa recursos automáticos. Segundo a documentação do Google Ads, o aviso é garantido na linha de descrição do Responsive Search Ad (anúncio responsivo de pesquisa), com limite de 90 caracteres.

Para setores com mais exigência, isso muda bastante. Saúde, finanças, seguros e outros mercados que operam com regras de comunicação mais rígidas normalmente evitam abrir mão do controle de copy (texto publicitário), porque qualquer omissão pode gerar problema de aprovação, jurídico ou reputação.

O ponto mais relevante é a compatibilidade com o Final URL Expansion. Antes, havia uma trava prática: se a conta precisava de texto obrigatório, a automação podia perder apelo. Agora, o Google tenta destravar esse uso híbrido, em que a IA escolhe a página mais aderente à busca, mas o anúncio mantém o aviso essencial.

Isso não elimina revisão humana. O próprio Google informa que há casos raros de truncamento do disclaimer, especialmente com fontes maiores por acessibilidade ou em alguns idiomas. Em português claro: a novidade reduz risco, mas não substitui checklist de aprovação.

Final URL Expansion: sim, continua sendo um recurso poderoso, mas ele só vale a pena quando a estrutura da conta e das páginas está madura

O Final URL Expansion (expansão automática da URL final) ganha valor quando o site tem várias páginas relevantes e a campanha precisa casar melhor a intenção da busca com a landing page. O problema é que esse recurso amplifica tanto acertos quanto bagunça: se o site estiver desorganizado, a automação pode levar tráfego para páginas apenas “aceitáveis”, não necessariamente para a página que mais vende.

É por isso que a novidade precisa ser lida junto com a arquitetura da conta. Se a campanha já mistura serviços, públicos e ofertas dentro do mesmo grupo, a IA tende a improvisar em cima de uma base fraca. Em setores como saúde, por exemplo, a diferença entre uma estrutura genérica e uma estrutura segmentada pesa direto no custo por lead. Vale comparar isso com uma estrutura de campanha plano de saúde e com estratégias para usar IA para otimizar Google Ads.

Outro detalhe importante: disclaimers aprovados podem sobrescrever descrições fixadas na posição 1. Isso significa que a conta precisa ser revisada com cuidado para não criar conflito entre texto obrigatório, ativos já pinados e promessa comercial do anúncio.

A forma mais segura de usar a novidade é tratar o teste como operação controlada, não como migração total. Como o rollout do AI Brief começa em inglês para Search e os Text Disclaimers chegam globalmente, o ideal é separar o que já pode ser validado agora do que depende da disponibilidade completa da funcionalidade.

  1. Escolher uma campanha com histórico estável e volume suficiente para comparação.
  2. Mapear quais mensagens são obrigatórias e cabem no limite de 90 caracteres.
  3. Revisar landing pages elegíveis antes de ativar o Final URL Expansion.
  4. Criar regras claras do que a IA pode dizer e do que deve evitar.
  5. Acompanhar termos de busca, taxa de conversão e qualidade dos leads por pelo menos 2 a 4 semanas.
  6. Comparar não só CPL (custo por lead), mas também qualidade comercial do contato.

Para pequeno e médio negócio, a leitura correta dessa atualização é simples: o Google está tentando reduzir o custo de adoção da automação. Quem tiver campanha organizada, páginas coerentes e métrica de conversão minimamente limpa tende a aproveitar melhor. Quem usar a novidade para “deixar a IA resolver” uma conta mal estruturada provavelmente só vai acelerar desperdício.

Fonte: Search Engine Journal e Google Ads Help

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.