Google lança Universal Cart no I/O: carrinho único cruza sites e marcas
O Google anunciou no I/O 2026 o Universal Cart (carrinho universal), um recurso que permite ao consumidor adicionar produtos de lojas diferentes em um único carrinho centralizado dentro do ecossistema Google. A funcionalidade opera diretamente nos resultados de busca, no AI Mode (modo de busca conversacional com IA) e em superfícies como Lens e Shopping, sem exigir que o usuário visite cada e-commerce individualmente. Para anunciantes, isso significa que a jornada de compra deixa de terminar no site da marca e passa a acontecer parcialmente dentro do Google, com checkout via Google Pay e fulfillment (entrega) feito pelo varejista. Donos de e-commerce que dependem de tráfego pago via Performance Max ou Shopping Ads precisam revisar atribuição, métricas de conversão assistida e estratégia de retenção — porque o cliente pode nunca mais pisar no site da loja antes de fechar a compra.
O anúncio foi feito durante o keynote do Google I/O e faz parte de uma série de mudanças na forma como o Google trata commerce dentro da busca. O Universal Cart se conecta com o Merchant Center e com feeds de produto já existentes, então tecnicamente não exige uma nova integração para varejistas que já anunciam no Shopping.
Na prática, o que muda é o ponto onde a conversão acontece. Hoje, um clique em anúncio Shopping leva o usuário para o site da loja, onde ele decide comprar. Com Universal Cart, o usuário pode adicionar o produto ao carrinho ainda na SERP (página de resultados) e seguir navegando — comparando, vendo reviews, conversando com a IA — antes de finalizar.
O que muda na atribuição de campanhas Google Ads
A atribuição passa a ser mais complexa porque o caminho até a compra deixa de ser linear. Segundo dados do próprio Google divulgados no evento, 70% dos consumidores já usam IA generativa em algum momento da jornada de compra — e o Universal Cart consolida esse comportamento dentro de uma única superfície.
Para quem roda campanha Google Ads sem resultado, a primeira ação é entender que métricas como “cliques no site” vão cair naturalmente sem que isso signifique queda de vendas. O CPA (custo por aquisição) precisa ser recalibrado considerando conversões que ocorrem fora do domínio do anunciante.
O Google sinalizou que vai expor essas conversões via tag de conversão padrão e via Enhanced Conversions, mas a granularidade ainda não está clara. Anunciantes que dependem de remarketing baseado em visita ao site vão precisar migrar para audiências baseadas em intenção dentro do próprio Google.
Tabela: jornada de compra antes vs. depois do Universal Cart
| Etapa | Modelo atual | Modelo Universal Cart |
|---|---|---|
| Descoberta | Anúncio Shopping/PMax | Anúncio Shopping/PMax/AI Mode |
| Consideração | Visita ao site da loja | Permanece na SERP/AI Mode |
| Carrinho | Site do varejista | Carrinho centralizado Google |
| Checkout | Site do varejista | Google Pay |
| Pós-venda | E-mail do varejista | E-mail do varejista + Google |
| Retenção | Lista própria | Compartilhada com Google |
A principal perda do varejista é a perda de dados first-party (dados próprios coletados no site). Sem o usuário passar pelo site, não há cookie próprio, não há pixel de remarketing carregado, não há captura de e-mail para fluxo de nutrição.
Como se preparar antes do rollout completo
O Google não deu data exata para o lançamento global, mas indicou que o rollout começa nos EUA nos próximos meses e expande gradualmente. Donos de e-commerce no Brasil têm tempo para se adaptar, mas as ações estratégicas começam agora.
Passos práticos para se preparar:
- Auditar o feed do Merchant Center — garantir que todos os produtos têm imagens de alta qualidade, descrições completas e atributos preenchidos (GTIN, marca, categoria).
- Configurar Enhanced Conversions — sem isso, a atribuição de vendas via Universal Cart vai ficar fragmentada e o algoritmo de Performance Max vai otimizar para sinais errados.
- Diversificar canais de retenção — investir em e-mail marketing, WhatsApp e SMS para reduzir dependência de remarketing via Google.
- Revisar landing pages — mesmo com Universal Cart, parte do tráfego continuará indo para o site. Páginas lentas ou com checkout ruim perdem ainda mais relevância.
- Trabalhar branded search — buscas pela marca tendem a manter o fluxo tradicional (clique → site → conversão), então fortalecer marca passa a ser ainda mais crítico.
- Monitorar relatório de conversões por origem — verificar semanalmente como a distribuição entre site direto e Universal Cart está evoluindo.
O ponto cego mais perigoso é continuar otimizando campanhas com o mesmo modelo de atribuição. Quem usar IA para otimizar Google Ads precisa garantir que o sinal de conversão alimentado no algoritmo inclui as compras via Universal Cart — caso contrário, o Performance Max vai canibalizar verba em audiências erradas.
Impacto sobre marcas pequenas e médias
Marcas grandes com forte reconhecimento tendem a se beneficiar do Universal Cart porque o consumidor já busca o produto pelo nome da marca. Marcas pequenas dependem mais da descoberta dentro da SERP — e aqui o jogo muda.
Dentro do Universal Cart, o consumidor compara produtos sem distinção visual forte entre lojas. Preço, prazo de entrega, política de devolução e reviews ficam mais determinantes que antes. O dado concreto: lojas com NPS (Net Promoter Score, índice de satisfação) acima de 70 e prazo de entrega abaixo de 3 dias tendem a converter 2x mais nesse formato, segundo benchmarks de cases similares no Amazon Buy Box.
Para entender o que é conversão nesse novo cenário, é preciso aceitar que conversão deixa de ser um evento único no site e passa a ser um conjunto de sinais distribuídos entre Google, app da loja e e-mail pós-venda. A definição precisa ser revisada no nível da conta de Google Ads.
Fonte: Google Announces New Universal Cart At I/O — Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.