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Google expande Direct Offers com pacotes de IA, checkout nativo e ofertas de viagem

· Givanildo Albuquerque

O Google anunciou uma expansão significativa do Direct Offers, recurso que exibe promoções diretamente nos resultados de busca. A atualização traz três mudanças principais: pacotes de ofertas gerados automaticamente por inteligência artificial, checkout nativo (compra finalizada sem sair do Google) e integração com ofertas de viagem como hotéis e passagens. Para anunciantes, isso significa menos cliques do usuário até a compra, mais competição por visibilidade no momento de decisão e necessidade urgente de revisar feeds de produto. Quem opera com promoções pontuais ou descontos sazonais precisa preparar dados estruturados de oferta agora, antes que a concorrência ocupe os slots. A mudança também muda o jogo para quem vende serviços de viagem, já que o Google passa a competir diretamente com OTAs (Online Travel Agencies, agências online de viagem) dentro da própria SERP, encurtando a jornada do clique à conversão.

Direct Offers é o formato em que o Google mostra promoções de varejistas e marcas diretamente abaixo dos resultados orgânicos e patrocinados. Antes da atualização, o anunciante precisava cadastrar cada oferta manualmente no Merchant Center.

Agora, o sistema usa IA para combinar produtos do feed e criar bundles (pacotes) automaticamente. Um exemplo: se você vende câmeras e tripés, o Google pode gerar uma oferta combinada “câmera + tripé com 15% off” sem que você precise cadastrá-la.

O que muda com pacotes gerados por IA

O recurso de bundles automáticos é o mais disruptivo da atualização. Segundo o Google, mais de 60% das buscas com intenção comercial mostram interesse em ofertas combinadas, e a IA agora identifica esses padrões sozinha.

A implicação prática: anunciantes perdem controle granular sobre quais combinações aparecem. O algoritmo decide o que faz sentido com base em histórico de compra, sazonalidade e margem cadastrada.

Para quem quer manter o pé no freio, há uma camada de opt-out no Merchant Center. Mas a recomendação do Google é deixar a IA testar — empresas que ativaram bundles automáticos em beta tiveram aumento médio de 23% no CTR (taxa de cliques) das ofertas.

Checkout nativo encurta o funil

A segunda mudança é o checkout nativo: o usuário finaliza a compra dentro do Google, sem ser redirecionado para o site do anunciante. Isso elimina pelo menos duas etapas da jornada tradicional.

O impacto positivo é óbvio — menos abandono de carrinho. O ponto de atenção é que o anunciante perde a chance de capturar dados próprios (e-mail, comportamento de navegação) que alimentariam remarketing e nutrição.

RecursoAntesDepois da atualização
Criação de ofertasManual no Merchant CenterAutomática via IA
Pacotes/bundlesCadastro individualGerados pela IA
CheckoutNo site do anuncianteDentro do Google
Viagens (hotéis/voos)Canal separadoIntegrado ao Direct Offers

Quem depende de dados first-party (primários, coletados diretamente do cliente) para campanhas precisa repensar a estratégia. Uma opção é incluir CTAs (chamadas para ação) pós-compra na confirmação do Google que tragam o cliente para o site.

Ofertas de viagem entram no jogo

O terceiro pilar da atualização é a integração de ofertas de viagem. Hotéis, passagens aéreas e pacotes turísticos passam a aparecer no mesmo formato visual de ofertas de varejo.

Isso muda fundamentalmente a competição no setor de turismo. Antes, plataformas como Booking, Decolar e Hoteis.com dominavam a SERP via SEO orgânico e Google Ads. Agora, o próprio Google passa a mostrar ofertas diretas de hotéis cadastrados.

Para redes hoteleiras independentes, é uma oportunidade rara de aparecer ao lado das OTAs sem pagar comissão de 18-25%. Para quem opera com campanhas Google Ads e quer entender o que muda na estrutura, o caminho é cadastrar tarifas em tempo real via Hotel Center.

Como se preparar para a mudança

  1. Audite seu feed do Merchant Center — produtos com dados incompletos (GTIN, marca, categoria) ficam de fora dos bundles automáticos
  2. Adicione preços promocionais com sale_price e sale_price_effective_date — IA prioriza ofertas com janela temporal clara
  3. Cadastre margens reais por SKU — o algoritmo precisa saber o que é saudável combinar
  4. Teste o opt-in de bundles automáticos em uma categoria primeiro — não ative para o catálogo inteiro de uma vez
  5. Configure tracking de conversão server-side — checkout nativo dificulta atribuição via pixel cliente
  6. Revise política de remarketing — se o cliente compra dentro do Google, você perde o cookie

Quem vende serviços (não produtos) também precisa prestar atenção. O modelo de ofertas diretas pode se estender para reservas de consultas, agendamentos e assinaturas nos próximos meses.

O risco para quem não se adapta

O Google está empurrando todo o e-commerce para um modelo onde a marca compete por slots dentro da SERP, não por tráfego para o site próprio. Quem ainda trata o Google apenas como fonte de cliques vai ver o CPA (custo por aquisição) subir nos próximos trimestres.

O movimento conversa diretamente com a estratégia de usar IA para otimizar Google Ads — Direct Offers automatizado é mais uma camada onde o anunciante terceiriza decisões para o algoritmo. A diferença é que aqui o controle perdido é maior: você não escolhe quais combinações aparecem, nem onde, nem quando.

A recomendação para donos de negócio é tratar Direct Offers como canal próprio, não como extensão do Ads. Isso significa equipe (ou agência) cuidando especificamente do Merchant Center, com revisões semanais de performance dos bundles.

Fonte: Search Engine Land

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.