Google encerra Dynamic Search Ads e migra anunciantes para o AI Max
O Google anunciou que o Dynamic Search Ads (DSA) — formato que criava títulos automaticamente com base no conteúdo do site e escolhia landing pages sem intervenção humana — será descontinuado e substituído pelo AI Max for Search Campaigns. A transição já tem prazo definido e afeta qualquer anunciante que usa DSA como estratégia para capturar termos de cauda longa (palavras-chave específicas de menor volume de busca). O AI Max não é uma atualização simples: é uma reformulação completa da lógica de automação no Google Ads, que passa a usar modelos de linguagem para interpretar intenção de busca, expandir cobertura de palavras-chave e gerar variações de texto em tempo real — tudo dentro de uma campanha de pesquisa padrão. Para quem depende de DSA hoje, a mudança exige atenção imediata: as configurações não migram automaticamente, o controle sobre landing pages muda e os relatórios de performance funcionarão de forma diferente. Entender o que muda antes da migração forçada é a diferença entre manter os resultados ou ver o CPL (custo por lead) subir sem diagnóstico claro.
O Dynamic Search Ads existia desde 2011 com uma lógica direta: o Google rastreava o site do anunciante, identificava o conteúdo das páginas e criava anúncios automaticamente quando havia correspondência entre uma busca e o conteúdo indexado. Era útil para e-commerces com catálogos grandes e para anunciantes que queriam cobrir variações de busca sem criar centenas de grupos de anúncios manualmente.
O problema estrutural do DSA é que ele respondia a palavras presentes no site, não à intenção real do usuário. Com o AI Max, o Google promete ir além: a nova estrutura usa LLMs (Large Language Models, modelos de linguagem de grande escala) para entender contexto e intenção, não apenas correspondência de texto.
O que é o AI Max e como funciona diferente do DSA
O AI Max for Search Campaigns não é um novo tipo de campanha separado — é uma camada de automação que se ativa dentro de campanhas de pesquisa convencionais já existentes. Segundo o Google, campanhas com AI Max ativado apresentaram em média 14% mais conversões comparado a campanhas de pesquisa padrão com o mesmo orçamento. Esse número deve ser lido com cautela: benchmarks médios do Google raramente refletem setores com ciclo de venda longo ou produtos de ticket alto.
Os três pilares principais do AI Max são:
- Expansão de palavras-chave: o sistema pode exibir anúncios para buscas fora da lista configurada, se o modelo julgar a intenção relevante
- Geração automática de texto: títulos e descrições criados em tempo real com base na página de destino e na intenção de busca detectada
- Seleção dinâmica de landing page: escolha automática da URL mais relevante do domínio para cada consulta
A principal promessa é cobertura maior com menos trabalho de configuração. O risco real, especialmente para anunciantes em setores regulados, é a perda de controle sobre qual página aparece para qual busca — algo que o DSA permitia gerenciar com mais precisão.
O que muda na prática para quem usa DSA hoje
A diferença entre DSA e AI Max vai além da nomenclatura. A tabela abaixo compara os dois formatos nos pontos que mais afetam a gestão diária de campanhas:
| Característica | Dynamic Search Ads (DSA) | AI Max for Search |
|---|---|---|
| Fonte de segmentação | Conteúdo do site rastreado | Palavras-chave + contexto de IA |
| Geração de título | Automática (baseada no site) | Automática (IA + landing page) |
| Controle de landing page | Por targets de URL ou categoria | Automático com opção de restrição |
| Relatório de termos de busca | Parcial | Ampliado (mais dados visíveis) |
| Tipo de campanha | Campanha DSA separada | Dentro da campanha de pesquisa padrão |
| Exclusões de página | Por URL ou categoria de conteúdo | Por URL ou tema detectado por IA |
A mudança mais impactante para anunciantes que gerenciavam DSA com cuidado é a perda do controle granular sobre qual página recebe tráfego pago. No modelo antigo, era possível criar targets específicos por seção do site. No AI Max, a seleção de landing page é mais automatizada, com menos opções de configuração manual.
Para quem anuncia serviços de saúde, clínicas ou qualquer produto regulado, isso exige revisão imediata. Páginas com conteúdo sensível que não estão preparadas para receber tráfego qualificado podem começar a aparecer em anúncios sem configuração intencional — e uma campanha Google Ads sem resultado causada por segmentação errada é difícil de diagnosticar depois que o orçamento já foi gasto.
Como se preparar antes da migração forçada
O Google não divulgou data exata para encerrar o DSA por completo, mas o padrão histórico da empresa é acelerar essas transições logo após o anúncio oficial. Esperar pela migração automática significa perder o período de comparação lado a lado — e junto com ele, o benchmark para avaliar se o AI Max está performando melhor ou pior.
Passos para não ser pego de surpresa:
- Audite as campanhas DSA ativas — identifique quais geram conversões reais e quais são só cobertura de volume
- Documente os targets de página configurados — quais URLs ou categorias estão ativas e qual a justificativa para cada uma
- Liste todas as exclusões de página — tudo que está excluído no DSA precisará ser transferido manualmente
- Ative o AI Max em paralelo — rode as duas estruturas juntas por no mínimo 30 dias antes de desligar o DSA
- Configure o URL expansion opt-out — o recurso existe no AI Max e deve ser ativado se não há interesse em deixar a IA escolher landing pages livremente
- Monitore os termos de busca semanalmente — o AI Max promete mais dados visíveis nos relatórios, mas a expansão de palavras-chave pode trazer tráfego fora do perfil desejado
Quem já integrou automação inteligente ao fluxo de campanhas vai se adaptar mais rápido. Para os demais, este é o momento de estruturar essa transição — entender como usar IA para otimizar Google Ads sem perder controle sobre os resultados é o ponto de partida.
O que essa mudança revela sobre a direção do Google Ads
A substituição do DSA pelo AI Max não é um evento isolado. É mais um movimento na estratégia de longo prazo do Google de reduzir o controle manual dos anunciantes e centralizar decisões em automação baseada em dados de conversão.
Performance Max, broad match expandido e agora AI Max for Search seguem o mesmo padrão: menos configuração manual, mais dependência de sinais de conversão para treinar os modelos. Quem tem rastreamento de conversão bem configurado sai na frente. Quem usa volume de cliques como proxy de resultado terá cada vez mais dificuldade de entender o que está acontecendo com o orçamento.
A conclusão prática: configurar conversões que refletem qualidade real — leads qualificados, não apenas formulários enviados — se torna mais crítico a cada mudança que o Google faz. Sem dados de qualidade alimentando o sistema, a IA otimiza para o que ela consegue medir, não para o que importa para o negócio.
Fonte: Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.