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Google atualiza algoritmo, limita rastreamento e revela dados de tráfego do Gemini

· Givanildo Albuquerque
Google atualiza algoritmo, limita rastreamento e revela dados de tráfego do Gemini

O Google concentrou três movimentos relevantes em um curto espaço de tempo: lançou mais uma atualização do core (o algoritmo principal de ranqueamento), passou a comunicar de forma mais clara os limites de rastreamento para sites grandes, e divulgou os primeiros dados sobre quanto tráfego o Gemini — seu assistente de IA — está enviando para sites da web. Para donos de negócio que dependem do Google para gerar leads, isso representa três frentes de atenção simultâneas: verificar se o ranking dos seus principais termos oscilou, entender se seu site está sendo rastreado com a frequência necessária para indexar novos conteúdos, e começar a acompanhar se o Gemini já está trazendo visitantes para as suas páginas. Juntas, essas mudanças redesenham como o Google decide o que mostrar, quando mostrar e por qual canal mostrar.

A atualização do core foi confirmada pelo próprio Google e afeta o ranqueamento de forma ampla — não é um update focado em spam ou links, mas uma revisão dos critérios gerais de qualidade. Historicamente, core updates causam oscilações visíveis em 7 a 14 dias após o início do rollout. O período de estabilização costuma levar de 2 a 3 semanas.

Sites de saúde, finanças e conteúdo de orientação (categorias chamadas de YMYL — Your Money or Your Life, ou seja, conteúdo que impacta decisões importantes de vida) costumam ser os mais afetados. Para quem trabalha com marketing de planos de saúde ou consultórios, monitorar posições nos primeiros dias é essencial.

Core Update: o que muda no ranqueamento

Atualizações de core não seguem regras fixas. O Google ajusta centenas de sinais simultaneamente, tornando difícil atribuir a queda ou subida de um site a um único fator.

O que os dados históricos mostram é que sites com conteúdo raso, alta taxa de rejeição (proporção de visitantes que saem sem interagir) e sem atualizações recentes tendem a perder posições. Já páginas com estrutura clara, dados concretos e links internos bem distribuídos costumam manter ou ganhar visibilidade.

SinalImpacto típico em core updates
Conteúdo com menos de 800 palavrasPerda de posição frequente
Taxa de rejeição acima de 70%Sinal negativo confirmado
Atualização recente do conteúdoSinal positivo
Links internos contextuaisSinal positivo
LCP acima de 4 segundosSinal negativo

Para verificar se seu site foi afetado, compare as impressões no Google Search Console nos 14 dias anteriores e posteriores à data de início do update. Queda consistente em múltiplas páginas — e não em uma só — é sinal de impacto de core.

Crawl Limits: o Google ficou mais seletivo com o rastreamento

O Google reafirmou que aplica limites de rastreamento baseados na “capacidade percebida do servidor” e na qualidade do conteúdo encontrado em visitas anteriores. Sites com muito conteúdo duplicado, páginas de baixa qualidade ou estrutura confusa podem ter seu crawl budget (orçamento de rastreamento — quantidade de páginas que o Google visita por dia) reduzido.

Para sites pequenos com menos de 1.000 páginas, isso raramente é problema. Para portais com dezenas de milhares de URLs — como e-commerces ou portais de notícias — pode significar que páginas novas demoram semanas para aparecer no índice.

Entender o que é conversão ajuda a priorizar quais páginas realmente precisam ser indexadas: nem toda URL merece orçamento de rastreamento.

As três ações práticas para proteger o crawl budget:

  1. Bloquear páginas sem valor via robots.txt — filtros de busca, páginas de carrinho e duplicadas não precisam estar no índice
  2. Implementar canonical tags (indicadores de qual é a URL principal) em páginas com conteúdo similar
  3. Monitorar o relatório “Cobertura” no Search Console semanalmente para identificar URLs que consomem orçamento sem retorno

Gemini e tráfego de IA: os primeiros números que importam

O dado mais novo e mais estratégico é sobre o Gemini. O Google começou a disponibilizar, em relatórios de SEO, informações sobre cliques originados do assistente de IA. Ainda são volumes pequenos — a maioria dos sites reporta menos de 2% do tráfego total vindo de interfaces de IA — mas a tendência é de crescimento acelerado ao longo de 2026.

O que chama atenção é o padrão desse tráfego: menor volume, mas taxa de conversão potencialmente mais alta. Quem chega via Gemini chega com intenção mais definida. Alguém que pergunta ao assistente “qual plano de saúde cobre tratamento oncológico em São Paulo” e clica num resultado está muito mais qualificado do que alguém que digitou “plano de saúde” no campo de busca.

Para quem já trabalha com entity SEO — otimização baseada em entidades e perguntas específicas —, essa tendência confirma a direção: o Google e seus sistemas de IA privilegiam páginas que respondem perguntas concretas com dados verificáveis, não páginas genéricas de apresentação de serviço.

Como agir diante das três mudanças

  1. Monitore agora: Acesse o Search Console, filtre as últimas 4 semanas e verifique se há queda em impressões ou cliques nos últimos 7 a 10 dias
  2. Revise o conteúdo das páginas-chave: Páginas importantes com menos de 800 palavras ou sem atualização nos últimos 6 meses devem ser priorizadas
  3. Audite o crawl budget: Use o relatório de cobertura para identificar páginas com erro ou excluídas que consomem orçamento sem gerar tráfego
  4. Ative o rastreamento de tráfego de IA: No Search Console, verifique se há segmento de origem SGE ou Gemini disponível; se não houver, monitore via parâmetros UTM em conteúdos novos
  5. Foque em perguntas específicas: Crie ou revise conteúdo que responde dúvidas concretas do seu público — é o formato que a IA mais cita e recomenda

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.