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Google Ads entra na era da intenção: palavra-chave perde força, mas não some

· Givanildo Albuquerque

Palavra-chave não desapareceu do Google Ads, mas deixou de ser o principal volante de controle. A leitura central da análise publicada pela Search Engine Journal é que o sistema caminha para decidir cada vez mais com base em intenção, sinais do site, criativos e histórico de conversão, e cada vez menos na lista de termos digitada pelo anunciante. Isso já aparece em números concretos: o Exact Match (correspondência exata) caiu de 37,1% para 27,6% da verba em campanhas não institucionais no estudo citado, enquanto o Broad Match (correspondência ampla) chegou a 38,8% do investimento e o Phrase Match (correspondência de frase) respondeu por 40% das conversões desse grupo. Para quem anuncia, a mudança é objetiva: insistir em gestão baseada só em palavras-chave tende a reduzir escala, atrasar aprendizado e esconder gargalos que agora estão em tracking, página, criativo e qualidade do dado enviado ao Google.

O argumento da matéria não é que pesquisa de palavra-chave virou inútil. O ponto é outro: ela deixou de ser suficiente para explicar desempenho, dar escala e orientar a otimização sozinha.

Isso acontece porque o Google vem ampliando o peso de automação e interpretação semântica há anos. Close variants (variações próximas), Smart Bidding (lances automáticos orientados a probabilidade de conversão) e, mais recentemente, AI Max (camada de automação para busca com expansão de termos e ativos) empurraram a plataforma para um modelo em que o anunciante descreve melhor o negócio, e o sistema decide melhor onde competir.

Match type / lógicaDado citadoLeitura prática
Exact Match (correspondência exata)27,6% da verba em campanhas não institucionaisContinua útil, mas perdeu protagonismo fora de buscas muito claras
Phrase Match (correspondência de frase)40% das conversões e taxa de conversão de 15,7%Virou o meio-termo mais seguro para crescer sem soltar tudo
Broad Match (correspondência ampla)38,8% da verba em campanhas não institucionaisGanhou espaço porque ajuda escala quando há bom sinal de conversão
Busca de marca6,61x de ROAS (retorno sobre gasto com anúncios) e CPC (custo por clique) de US$ 0,90Onde a intenção é óbvia, controle fino ainda compensa muito

A palavra-chave perdeu centralidade, e os números já mostram isso

Sim: a palavra-chave ainda existe, mas já não organiza o desempenho como antes. O estudo citado pela SEJ analisou cerca de 130 mil campanhas não institucionais, mais de 14 mil contas e aproximadamente US$ 99 milhões em verba, mostrando uma migração real para modelos menos dependentes de controle manual.

O dado mais forte é a queda do Exact Match de 37,1% para 27,6% da verba nesse grupo. Na prática, isso indica que o mercado já entendeu que limitar demais a entrada de consulta reduz descoberta, especialmente em mercados onde o usuário pesquisa de formas imprevisíveis.

Para donos de negócio, isso conversa diretamente com o problema clássico de campanha Google Ads sem resultado. Muitas campanhas não travam por “falta de palavra-chave boa”, mas por excesso de rigidez, estrutura antiga e pouco sinal de qualidade para o algoritmo interpretar.

Phrase Match virou o ponto de equilíbrio para crescer com menos desperdício

Hoje, a resposta mais pragmática não é “libera tudo” nem “fecha tudo”. O número que mais merece atenção é este: Phrase Match entregou 40% das conversões não institucionais com taxa de conversão de 15,7%, acima de Exact Match em 10,5% e Broad Match em 8,5%.

Isso muda a forma de montar campanhas novas. Em vez de começar hiperfragmentado, faz mais sentido abrir com grupos mais limpos, intenção clara e espaço para o sistema aprender, preservando negativas e leitura de qualidade.

Esse raciocínio vale ainda mais para mercados competitivos e regulados, onde a estrutura precisa continuar organizada. Em segmentos assim, a base de estrutura de campanha plano de saúde continua importante, mas agora a organização serve mais para separar intenção e qualidade de tráfego do que para controlar cada variação de consulta.

Marca segue pedindo controle, mesmo com IA ganhando espaço

Não: a automação não matou a vantagem de campanhas de marca. O próprio estudo citado aponta que buscas de marca com Exact Match entregaram 6,61x de ROAS e CPC de US$ 0,90, quase o dobro do retorno das alternativas mencionadas.

Esse é o ponto que impede leituras simplistas. Quando a intenção já está escancarada, como em nome da empresa, produto próprio ou busca institucional, controle continua sendo eficiência.

O erro está em aplicar a mesma lógica da marca em toda a conta. Para demanda nova, descoberta e expansão, o sistema ganha relevância; para proteger tráfego quente e leitura de resultado, a palavra-chave exata ainda tem função tática.

O que realmente passa a decidir desempenho é o sinal enviado ao Google

A mudança mais prática não está na interface, mas nos insumos. A matéria reforça que landing page, ativos, criativos, dados do negócio e conversões offline passaram a funcionar como combustível de segmentação, não só como apoio de otimização.

Aqui entra um número decisivo: a regra citada na análise fala em cerca de 100 leads por mês para gerar 30 ou mais conversões qualificadas, volume mínimo para sistemas automatizados aprenderem com mais consistência. Sem isso, a automação tende a otimizar para volume barato, não para venda melhor.

É exatamente por isso que discutir o que é conversão e usar IA para otimizar Google Ads deixou de ser assunto “avançado”. Se o dado enviado é fraco, a IA acelera o erro; se o dado enviado é qualificado, a IA acelera o acerto.

Como testar essa virada sem perder controle da conta

O caminho mais seguro é adaptação progressiva, não ruptura. O próprio material de apoio do Google informa que anunciantes que ativam AI Max costumam ver 14% mais conversões ou valor de conversão em CPA (custo por aquisição) ou ROAS semelhantes, enquanto a documentação de Broad Match cita média de 25% mais conversões em campanhas com Target CPA.

  1. Separar marca e não marca imediatamente, sem misturar intenção óbvia com descoberta.
  2. Usar Exact Match para marca e termos comprovadamente lucrativos.
  3. Testar Phrase Match como base de expansão controlada em campanhas novas.
  4. Liberar Broad Match só onde houver rastreamento confiável e volume suficiente.
  5. Enviar conversões qualificadas, não apenas lead gerado, para o Google aprender com qualidade.
  6. Rodar teste com comparação real, mantendo grupo de controle sempre que possível.
  7. Revisar negativas com disciplina, porque elas continuam sendo a última trava manual relevante.

A leitura final é simples: palavra-chave não acabou, mas deixou de ser o centro da operação. Quem continuar gerindo Google Ads como se ainda fosse 2018 tende a perder eficiência para concorrentes que tratam intenção, dado e automação como parte da segmentação.

Fonte: Search Engine Journal | Google Ads Help - AI Max | Google Ads Help - Broad Match

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.