Estudo com 400 sites revela o que realmente gera cliques: SEO tradicional ou IA
A corrida para aparecer em respostas de IA (como AI Overviews do Google e ChatGPT Search) está fazendo muitos donos de negócio tirarem o foco do SEO tradicional cedo demais. Um framework publicado pelo Search Engine Journal propõe critérios objetivos para decidir onde investir primeiro — e os dados mostram que, para a maioria dos negócios locais e de serviços, o SEO clássico ainda entrega mais resultado mensurável. A recomendação central: analise seus dados de tráfego antes de seguir a tendência, porque otimizar para IA sem base de SEO sólida é como decorar uma casa sem alicerce.
O debate entre SEO tradicional e otimização para buscas com IA (chamada de GEO — Generative Engine Optimization) ganhou força em 2025 e segue crescendo. Ferramentas como AI Overviews do Google, Perplexity e ChatGPT Search começaram a responder perguntas diretamente, sem exigir clique. Isso gerou pânico em muitos profissionais de marketing.
Mas os números contam uma história diferente da narrativa de urgência.
O que os dados mostram sobre tráfego de IA vs. busca orgânica
Segundo dados do próprio Google e de ferramentas como Semrush e Ahrefs, o tráfego vindo de AI Overviews ainda representa menos de 2% do total de cliques orgânicos para a maioria dos sites comerciais. Para negócios locais — clínicas, escritórios, corretoras — esse número é ainda menor.
| Fonte de tráfego | % médio do total de visitas | Tendência 2025-2026 |
|---|---|---|
| Busca orgânica tradicional | 53-68% | Estável |
| AI Overviews (Google) | 1-3% | Crescendo devagar |
| ChatGPT Search / Perplexity | < 0,5% | Crescendo rápido, base pequena |
| Tráfego direto + referral | 25-35% | Estável |
Isso não significa ignorar IA. Significa que a prioridade depende do estágio do negócio.
Framework de decisão: onde colocar seu tempo agora
O framework proposto usa três critérios para decidir se o foco deve ser SEO tradicional, GEO, ou os dois:
- Volume atual de tráfego orgânico — se o site já recebe tráfego consistente de busca, há base para expandir. Se não, SEO básico vem primeiro
- Tipo de consulta do público-alvo — buscas transacionais (“plano de saúde empresarial preço”) ainda dependem de resultados clicáveis. Buscas informacionais (“o que é carência”) já aparecem em AI Overviews
- Impacto no funil de vendas — se a conversão acontece no site (formulário, WhatsApp, agendamento), o clique orgânico tradicional é insubstituível por enquanto
Para quem anuncia em Google Ads e precisa de resultados mensuráveis, o SEO tradicional continua sendo o canal complementar mais confiável. A otimização para IA entra como camada adicional, não como substituta.
O que fazer na prática: checklist de priorização
Antes de investir tempo em GEO, passe por esta sequência:
- Verifique no Google Search Console quantas impressões vêm de AI Overviews (relatório de “Search Appearance”)
- Analise se suas páginas principais já ranqueiam nas 3 primeiras posições para as palavras-chave de negócio
- Confirme se o site tem structured data (schema markup) implementado — isso beneficia TANTO SEO quanto IA
- Avalie se o conteúdo responde perguntas de forma direta nos primeiros parágrafos (formato citável por IA)
- Só então invista em otimizações específicas para GEO: entidades, dados estruturados avançados e conteúdo no formato que entity SEO exige
Quando faz sentido priorizar otimização para IA
Existem cenários onde GEO merece atenção imediata:
- Sites de conteúdo informacional que já perderam tráfego para AI Overviews (verificar queda em queries específicas)
- Marcas que competem por autoridade temática em nichos técnicos (saúde, finanças, tecnologia)
- Negócios B2B com ciclo de venda longo, onde aparecer como fonte citada em respostas de IA constrói confiança antes do primeiro contato
Para negócios locais e de serviços, a regra é simples: SEO tradicional primeiro, GEO como evolução natural quando a base estiver sólida.
O risco de pular etapas
O maior erro observado é abandonar práticas de SEO comprovadas para perseguir visibilidade em IA. Sites que negligenciam otimização técnica, velocidade de carregamento e conteúdo de qualidade em favor de “hacks para IA” acabam perdendo nos dois canais.
O framework deixa claro: GEO não substitui SEO. É uma extensão. E como qualquer extensão, só funciona se a fundação existir.
Fonte: Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.