Anúncios no AI Mode podem vender, mas o risco hoje é medir errado
Os anúncios no AI Mode do Google não devem ser tratados só como mídia de awareness (alcance e lembrança de marca). O ponto mais realista hoje é outro: eles podem influenciar e até fechar conversões, mas ainda entram em jornadas mais longas, com menos visibilidade sobre qual clique gerou resultado de fato. Isso muda a forma de avaliar campanha, porque o usuário conversa mais, pesquisa mais etapas antes de decidir e pode converter depois por outro caminho, como busca de marca, formulário direto ou retorno ao site. O alerta para quem anuncia é simples: cobrar do AI Mode o mesmo comportamento de uma campanha de fundo de funil tende a gerar leitura errada, corte prematuro de verba e decisões ruins. O melhor uso, neste momento, é testar com meta de negócio clara, acompanhar custo por lead com cuidado e separar o que é descoberta qualificada do que já é intenção pronta para compra.
A discussão levantada pela Search Engine Journal toca no ponto mais sensível do Google Ads em 2026: anúncios dentro de experiências de busca por IA ainda não têm relatório separado. Na prática, impressões, cliques e conversões tendem a ficar misturados com Search, Shopping e campanhas automatizadas.
Isso importa porque o comportamento mudou. No earnings call da Alphabet de 4 de fevereiro de 2026, o Google informou que as buscas no AI Mode são 3 vezes mais longas que as buscas tradicionais, e que quase 1 em cada 6 consultas já é feita com voz ou imagem, não só texto.
| Ponto | O que já se sabe | O que muda para quem anuncia |
|---|---|---|
| Intenção de busca | Consultas no AI Mode são 3x mais longas | O anúncio precisa responder contexto, não só palavra-chave |
| Jornada | Parte relevante das buscas vira pergunta de follow-up | A conversão pode acontecer depois, em outro toque |
| Formato | Google testa anúncios abaixo das respostas e formatos de varejo patrocinados | A disputa sai do topo clássico da SERP (página de resultados) e entra na conversa |
| Medição | Ainda não há coluna dedicada para AI Mode | É preciso analisar CPA (custo por aquisição) e CPL (custo por lead) com recorte mais cuidadoso |
Sim, AI Mode pode gerar conversão, mas tende a converter em jornada mais longa
Sim, pode converter, porque o Google já está monetizando momentos de consideração com sinais mais ricos de intenção. O dado concreto é que o próprio Google disse que as consultas no AI Mode são 3 vezes mais longas e frequentemente levam a perguntas adicionais, o que indica pesquisa mais profunda antes da decisão.
Para quem vende serviço, isso significa que o clique pode não vir no momento da compra, mas no momento em que o cliente finalmente entende o problema. Em segmentos com venda consultiva, como saúde, educação ou B2B, isso é relevante porque a busca deixa de ser só “comprar agora” e passa a incluir comparação, contexto e objeção.
O erro mais comum será julgar essa mídia apenas pelo último clique. Se a conta já sofre para entender por que uma campanha Google Ads sem resultado, a tendência é piorar quando a jornada ficar mais distribuída entre descoberta, comparação e retorno.
Não, usar meta de awareness sozinha é pouco: o problema central hoje é atribuição
Não, chamar AI Mode de canal de awareness e parar aí simplifica demais. O dado concreto é que o Google já testa anúncios diretamente abaixo da resposta de IA e também formatos patrocinados em categorias como varejo e viagem, ou seja, a proposta não é apenas exibir marca, mas criar ponte para ação.
O gargalo está na atribuição (regra que tenta dizer qual canal merece o crédito pela venda). Se o usuário vê uma recomendação em AI Mode, clica, sai, volta depois por busca de marca e converte, boa parte das contas ainda vai ler isso como mérito do branded search, e não da descoberta inicial.
Por isso, o debate correto não é “converte ou não converte”. O debate certo é “em que etapa da jornada esse clique entra, quanto custa e quanto ajuda a empurrar a venda adiante”.
O impacto prático no Google Ads é estrutura, sinal e página de destino
O impacto prático é imediato: campanha ruim tende a piorar quando o sistema depende mais de contexto. O dado concreto aqui vem da direção do produto: o Google confirmou a evolução para AI Max e o upgrade automático de estruturas legadas a partir de setembro de 2026.
Isso reforça um movimento claro: a conta dependerá mais de sinais de intenção, ativos criativos e qualidade da página do que de controle fino por correspondência de palavra-chave. Em português claro, quem ainda anuncia com estrutura solta, conversão mal configurada e landing page genérica vai alimentar a automação com dado fraco.
Antes de escalar qualquer teste, vale revisar o que é conversão e também entender como usar IA para otimizar Google Ads. Sem isso, a leitura de performance vira adivinhação cara.
Como testar AI Mode sem cair na armadilha do “parece que funcionou”
A forma mais segura de testar é comparar efeito de negócio, não só volume de clique. O dado concreto é que o Google já informou que AI Overviews geraram mais de 10% de aumento no uso do buscador para consultas em que esse recurso aparece nos grandes mercados, o que mostra expansão de busca, mas não prova venda por si só.
- Separar campanhas por intenção: marca, fundo de funil e descoberta assistida.
- Definir uma conversão principal de negócio, como lead qualificado ou venda, e não só microconversão.
- Monitorar CPL, CPA e taxa de conversão por período de 2 a 4 semanas, não por 48 horas.
- Observar aumento de buscas de marca e conversões assistidas depois do início do teste.
- Revisar termos, páginas e criativos para ver se a mensagem responde perguntas mais complexas.
Em contas com orçamento apertado, a prioridade não é “entrar em toda novidade”. A prioridade é proteger eficiência e testar de forma controlada, especialmente quando o custo por lead já está pressionado e a empresa busca reduzir CPL com IA.
O que fica de decisão para donos de negócio
A decisão mais inteligente hoje é tratar AI Mode como uma camada nova de captura de intenção, não como substituto automático da busca tradicional. O dado mais importante continua sendo o comportamento: buscas 3 vezes mais longas significam mais contexto, e mais contexto exige anúncio, oferta e página melhores.
Quem anunciar bem nesse ambiente tende a ganhar espaço antes do concorrente aparecer na fase final da decisão. Quem medir mal pode pausar uma frente promissora cedo demais ou, pior, manter verba em tráfego bonito que não vira caixa.
Fonte: Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.