Tráfego de IA não cabe no ROI antigo e isso já afeta SEO e aquisição
A discussão sobre tráfego vindo de IA está sendo medida do jeito errado: comparar cliques de ChatGPT e similares com o volume que o Google enviava no passado distorce o cenário e atrasa decisões. A tese central do Search Engine Journal é simples: mecanismos de busca sempre foram desenhados para listar opções e repassar o clique, enquanto ferramentas baseadas em LLM (modelo de linguagem de grande escala) foram desenhadas para responder dentro da própria interface. Isso muda a lógica de ROI (retorno sobre investimento), porque a ausência de clique não significa ausência de influência na venda. Para quem anuncia ou depende de SEO (otimização para mecanismos de busca), o ponto prático é outro: insistir apenas em sessões e referrals pode esconder perda de visibilidade, já que o bolo do tráfego orgânico encolheu enquanto o uso de IA cresce rápido. O desafio agora não é “provar” o canal com a régua antiga, e sim medir presença, citação e impacto comercial no novo comportamento de busca.
O artigo do Search Engine Journal parte de uma diferença estrutural. O Google e outros buscadores foram construídos para mostrar opções na SERP (página de resultados do buscador) e deixar o usuário decidir para onde clicar.
Já os sistemas de resposta com IA foram desenhados para resolver a pergunta ali mesmo. Quando existe citação, ela funciona mais como base de sustentação da resposta do que como mecanismo obrigatório de tráfego.
| Ambiente | Objetivo principal | O que o usuário recebe | Métrica antiga mais usada | Onde acontece o erro |
|---|---|---|---|---|
| Busca tradicional | Ordenar opções | Lista de links | Cliques e sessões | Supor que visibilidade só existe com visita |
| IA generativa | Entregar resposta direta | Resumo pronto com ou sem fontes | Referral traffic | Ignorar influência sem clique |
| Estratégia de negócio | Gerar venda e demanda | Descoberta + consideração | Último clique | Esquecer marca, citação e conversão assistida |
Na prática, isso exige revisão de atribuição. Quem ainda mede valor apenas pelo último clique precisa revisitar a leitura de o que é conversão e conectar SEO, mídia e marca numa mesma análise.
O clique deixou de ser a única prova de valor
A resposta curta é: usar só tráfego de referência para julgar IA já nasce incompleto, e o próprio artigo cita um dado que mostra isso. Segundo a Conductor, a fatia combinada de referrals de IA está em cerca de 1% do tráfego de publishers.
O número parece pequeno, mas ele responde à pergunta errada. Ele mede quanto clique chegou, não quanto a marca apareceu, foi citada ou influenciou a decisão antes da visita.
Para dono de negócio, isso muda a conversa com agência e time interno. Se a marca começou a aparecer nas respostas, mas essa exposição não entra no relatório, a empresa pode cortar um trabalho que está ganhando relevância antes da concorrência perceber.
Isso vale especialmente para temas em que autoridade e contexto pesam mais do que a oferta direta. É a mesma lógica por trás de uma estratégia de entity SEO: a marca precisa ser entendida como fonte confiável, não só como página pronta para receber clique.
O denominador do SEO encolheu
A resposta curta é: o problema não está só no pouco tráfego vindo da IA, mas na queda forte do tráfego orgânico tradicional. O artigo cita dados da Similarweb mostrando que publishers de notícias saíram de cerca de 2,3 bilhões de visitas orgânicas mensais em meados de 2024 para menos de 1,7 bilhão em maio de 2025.
Isso representa perda superior a 600 milhões de visitas em menos de um ano. No mesmo texto, o avanço das buscas zero-click (buscas sem clique) aparece de forma ainda mais direta: de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025.
O impacto prático é simples. Se o tráfego total do canal de busca está encolhendo, manter a mesma participação percentual já não significa estabilidade real.
É por isso que relatórios que mostram “share estável” podem mascarar perda de oportunidade. O certo é comparar volume absoluto, participação em consultas estratégicas, presença em respostas de IA e efeito em pipeline comercial.
O dinheiro do mercado já foi para o modelo de resposta direta
A resposta curta é: as big techs já fizeram a aposta, e os números mostram que a mudança não é experimental. O artigo afirma que as cinco maiores empresas americanas de nuvem e infraestrutura de IA devem investir entre US$ 660 bilhões e US$ 690 bilhões em capex (investimento em infraestrutura) em 2026.
Só a Alphabet, dona do Google, projeta entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026, mais que o dobro dos US$ 91 bilhões de 2025 citados no texto. O mesmo artigo também destaca que o ChatGPT chegou a cerca de 900 milhões de usuários ativos semanais, contra 200 milhões de 18 meses antes.
Para quem vende online, isso tem um recado objetivo: comportamento muda antes do modelo de mensuração ficar pronto. Esperar a planilha “fechar” para só então testar presença em IA é o tipo de atraso que custa mercado.
- Separar consultas de topo, meio e fundo de funil para ver onde respostas de IA já aparecem.
- Medir buscas de marca, páginas citadas, crescimento de impressões e conversões assistidas, não apenas sessão final.
- Reforçar páginas que explicam conceitos e resolvem dúvidas com clareza, como em conteúdos que ajudam a usar IA para otimizar Google Ads.
- Revisar páginas institucionais, FAQs e conteúdos comparativos para aumentar consistência de citação.
- Acompanhar vendas, formulários e consultas comerciais por período, porque o efeito pode aparecer antes do clique ser atribuído corretamente.
O ponto central da matéria não é abandonar SEO nem tratar IA como canal mágico. É entender que o modelo de descoberta mudou e que continuar medindo tudo pela lógica do clique puro pode deixar a empresa invisível justamente onde o usuário já está formando opinião.
Quem depende de aquisição digital precisa olhar menos para vaidade de canal e mais para presença comercial efetiva. Quando a resposta fica dentro da interface, vencer passa a significar ser a fonte lembrada, citada e confiável, mesmo que a visita venha depois.
Fonte: Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.