SEO

Reino Unido obriga Google a deixar sites saírem da busca com IA sem perder ranqueamento

· Givanildo Albuquerque

A autoridade de concorrência do Reino Unido (CMA — Competition and Markets Authority, o órgão que fiscaliza concorrência no país) determinou que o Google precisa permitir que sites optem por não ter seu conteúdo usado em recursos de busca com inteligência artificial, como as AI Overviews (respostas geradas por IA no topo da página), sem que isso os tire dos resultados orgânicos tradicionais. Hoje, quem não quer aparecer nessas respostas só consegue se bloquear toda a indexação no Google — e perde também o tráfego da busca comum. A medida faz parte do pacote de obrigações ligado ao Strategic Market Status (status de mercado estratégico, uma classificação que dá ao regulador poder de impor regras de conduta) atribuído ao Google na busca e na publicidade de busca. Para donos de site e produtores de conteúdo, é a primeira vez que um regulador grande separa “aparecer na busca” de “alimentar a IA do Google” — abrindo um precedente que pode mudar a relação entre publishers e mecanismos de busca no mundo todo.

O Google responde por cerca de 90% das buscas feitas no Reino Unido, segundo a própria CMA. Por isso o órgão classificou a empresa como dominante e ganhou base legal para exigir mudanças de comportamento. A obrigação de opt-out (saída voluntária) dos recursos de IA é um dos primeiros itens concretos desse roteiro.

A dor que o regulador tenta resolver é específica. Até agora, o único jeito de impedir que o Google usasse um conteúdo nas AI Overviews era bloquear o rastreamento do site inteiro — o que significava sumir também dos resultados orgânicos normais. Era um ultimato disfarçado de escolha.

O que muda na prática para quem tem site

A mudança central é dar ao dono do conteúdo um controle granular que hoje não existe. Em vez de “tudo ou nada”, o site poderá continuar ranqueando na busca tradicional e, ao mesmo tempo, recusar que seu texto vire resposta pronta na IA do Google.

Isso importa porque estudos do setor apontam quedas de 30% a 40% na taxa de cliques (CTR — proporção de pessoas que clicam após ver o resultado) quando uma AI Overview aparece acima dos links. Quando a IA responde, o usuário não precisa visitar o site.

SituaçãoAntesDepois da regra da CMA
Sair das AI OverviewsSó bloqueando o site inteiroOpt-out específico, sem sair da busca
Tráfego orgânicoPerdido juntoPreservado
Controle do publisherNenhum (tudo ou nada)Granular
Transparência de usoBaixaExigida pelo regulador

Para quem vive de tráfego de busca, essa separação é a diferença entre proteger a marca e cometer um suicídio de visibilidade. A regra ainda está em fase de implementação, mas sinaliza a direção.

Por que separar busca e IA é tão importante

O ponto de fundo é quem fica com o valor do conteúdo. Hoje o Google usa o mesmo índice de rastreamento tanto para listar links quanto para gerar respostas de IA, então não dá para participar de um e recusar o outro.

No Reino Unido, o Google detém mais de 90% do mercado de busca — não existe alternativa real para um site se quiser tráfego de pesquisa. Essa dependência é justamente o que dá força ao argumento do regulador.

A lógica conecta-se a um movimento maior de entity SEO, em que ser reconhecido como fonte confiável passa a valer mais do que apenas posicionar uma página. Aparecer (ou não) dentro da resposta da IA vira uma decisão estratégica, não um efeito colateral.

Vale lembrar que conquistar um featured snippet já trazia esse mesmo dilema em menor escala: visibilidade alta com risco de o usuário não clicar. As AI Overviews levam o problema a outro patamar.

O que isso significa para o Brasil

A decisão vale só no Reino Unido, mas reguladores costumam copiar uns aos outros. A União Europeia, com o Digital Markets Act, e órgãos de outros países observam de perto — o que pode pressionar o Google a adotar controles globais para evitar dezenas de regras diferentes.

No Brasil, as AI Overviews já aparecem em parte das buscas e tendem a crescer. Nenhuma regra local obriga o Google a oferecer opt-out hoje, então o publisher brasileiro segue na lógica do “tudo ou nada”.

O mais provável é que qualquer controle granular criado para o Reino Unido acabe disponível mundialmente, por questão de custo operacional. Quem entende cedo como usar IA para otimizar a presença e o conteúdo sai na frente quando a opção chegar.

Como se preparar agora

Não dá para acionar o opt-out fora do Reino Unido ainda, mas dá para se posicionar. A preparação passa por entender quanto do seu tráfego depende de cliques versus de marca.

  1. Meça o impacto atual — veja no Search Console quais consultas já mostram AI Overview e compare o CTR com termos sem IA.
  2. Classifique seu conteúdo — separe páginas “de resposta rápida” (fáceis de canibalizar pela IA) das páginas de profundidade e conversão.
  3. Reforce o que a IA não copia — ferramentas, calculadoras, dados próprios e ofertas diretas mantêm o motivo do clique.
  4. Acompanhe o robots.txt e diretivas — fique atento a novos controles do tipo Google-Extended e tags específicas de IA.
  5. Diversifique a origem do tráfego — e-mail, redes e busca direta reduzem a dependência de uma única fonte.

A notícia não muda nada hoje no Brasil, mas redefine o jogo. Pela primeira vez fica claro que estar na busca e alimentar a IA do Google podem — e devem — ser decisões separadas.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.