SEO

Posição 1 do Google agora aparece no meio da página: estudo mede a SERP em pixels

· Givanildo Albuquerque

A posição 1 do Google já não fica no topo da tela. Um estudo recente mediu a SERP (página de resultados de busca) em pixels — e não em posições numéricas — e descobriu que o primeiro resultado orgânico aparece, em média, a centenas de pixels do início da página. Anúncios, painéis de IA (AI Overviews, os resumos gerados por inteligência artificial), caixas de perguntas e blocos de mapa empurram o conteúdo orgânico para baixo. Em muitas buscas, o usuário precisa rolar metade da tela antes de ver o primeiro link “natural”. Para quem investe em SEO (otimização para mecanismos de busca), isso muda a régua: ranquear em primeiro lugar não garante mais visibilidade imediata. A métrica que passa a importar é a altura em pixels até o seu resultado, não apenas o número da posição. Quem depende de tráfego orgânico precisa reavaliar o que “estar no topo” realmente significa em 2026.

Durante anos, SEO foi pensado em números de ranking: estar em 1º, 2º ou 3º lugar. O problema é que esses números medem ordem, não posição na tela. Uma página pode ranquear em 1º e, ainda assim, exigir rolagem para ser vista — porque o espaço acima foi tomado por outros elementos.

O estudo recapitulado pelo Search Engine Journal propõe uma mudança de mentalidade. Em vez de perguntar “em que posição estou?”, a pergunta passa a ser “a quantos pixels do topo o usuário encontra meu resultado?”. É uma diferença prática enorme para quem vive de cliques.

Por que medir em pixels muda tudo

A resposta direta: porque o ranking número 1 e a posição visual número 1 deixaram de ser a mesma coisa. Estudos de rastreamento ocular mostram que a atenção do usuário cai drasticamente abaixo da primeira dobra (a parte visível da tela sem rolar) — historicamente, mais de 80% dos olhares se concentram acima dela.

Quando um AI Overview ou um bloco de anúncios ocupa 600 ou 800 pixels no topo, o primeiro orgânico simplesmente sai dessa zona de maior atenção. O número do ranking continua “1”, mas o valor real do clique despenca.

Isso explica por que muitos sites relatam queda de CTR (taxa de cliques) mesmo mantendo as mesmas posições. Não é o ranking que piorou — é a paisagem ao redor dele que mudou.

O que ocupa o espaço acima do orgânico

A SERP de hoje é uma pilha de blocos competindo pelo mesmo espaço vertical. Cada um empurra seu resultado mais para baixo. A tabela abaixo resume os principais e o impacto típico em pixels:

Elemento da SERPO que éImpacto vertical estimado
Anúncios de topo (Search Ads)Links pagos antes do orgânico300–500 px
AI OverviewResumo gerado por IA400–900 px
People Also AskCaixa de perguntas relacionadas150–300 px
Local Pack / MapaBloco com 3 negócios locais350–500 px
Imagens / VídeosCarrossel visual200–400 px

Em uma busca comercial competitiva, somar dois ou três desses blocos joga o primeiro orgânico para 1.000 pixels ou mais abaixo do topo. Na prática, é a metade de uma tela de notebook só de “entulho” antes do seu link.

O que isso muda para quem anuncia e para quem faz SEO

Para quem investe em mídia paga, a leitura é clara: os anúncios de topo ocupam justamente a zona nobre que o orgânico perdeu. Se o seu público busca termos comerciais, ignorar o Google Ads significa entregar a primeira dobra para o concorrente. Vale entender como montar uma campanha de Google Ads com resultado antes de assumir que SEO sozinho resolve.

Para SEO, a estratégia precisa mirar os próprios blocos que estão empurrando o orgânico — e não só lutar pela posição 1 tradicional. Conquistar um featured snippet (posição zero) ou aparecer dentro do AI Overview passa a valer mais do que um 1º lugar “escondido”. A autoridade de entidade no SEO também ganha peso, porque é assim que o Google decide quais marcas cita nos resumos de IA.

Como adaptar sua estratégia a partir de hoje

O ajuste é prático e pode começar nesta semana. Siga esta ordem:

  1. Audite suas SERPs reais — busque seus termos principais em uma janela anônima e role até encontrar seu resultado. Anote quantas dobras de rolagem isso exige.
  2. Identifique os blocos acima de você — anúncio? AI Overview? Local Pack? Cada um pede uma resposta diferente.
  3. Mire a posição zero — estruture conteúdo em resposta direta (pergunta + resposta objetiva no primeiro parágrafo) para disputar o snippet.
  4. Reforce sinais de entidade — página “sobre”, autoria clara e dados estruturados ajudam o Google a citar sua marca no AI Overview.
  5. Reconsidere mídia paga em termos comerciais — onde o orgânico foi soterrado, o anúncio recupera a primeira dobra.
  6. Acompanhe CTR, não só ranking — uma queda de cliques com ranking estável é o sintoma clássico desse novo cenário.

O recado final é simples: parar de tratar “posição 1” como sinônimo de visibilidade. Hoje, o topo da tela é um leilão entre anúncios, IA e conteúdo — e quem entende essa disputa em pixels sai na frente.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.