SEO

Por que parte dos usuários está fugindo da busca com IA — e o que isso muda no SEO

· Givanildo Albuquerque

Uma parte crescente dos usuários está abandonando os resultados de busca com IA e voltando para a chamada “busca limpa” — páginas só com links azuis, sem resumos gerados automaticamente. O gatilho mais visível é o parâmetro &udm=14 do Google, um atalho que remove os AI Overviews (resumos de IA no topo da página) e devolve a lista tradicional de resultados. A insatisfação não é marginal: levantamentos recentes apontam que entre 25% e 30% dos usuários desconfiam das respostas de IA quando o tema envolve dinheiro, saúde ou decisões de peso. Para quem depende de tráfego orgânico, isso muda o jogo. Significa que ainda existe um público que clica em links, lê páginas inteiras e compara fontes — exatamente o comportamento que os AI Overviews tentam encurtar. A pergunta para donos de negócio deixa de ser apenas “como aparecer na IA” e passa a ser “como continuar relevante para os dois tipos de busca ao mesmo tempo”.

O movimento ganhou força quando ferramentas e extensões passaram a forçar a versão sem IA do Google de forma permanente. O que era um truque de nicho virou hábito de uma fatia que valoriza controle sobre o que vê.

Não se trata de rejeição à tecnologia em si. É desconfiança em contextos específicos — saúde, finanças, jurídico — onde uma resposta resumida e sem fonte clara pode custar caro.

Quem é esse usuário que rejeita a IA na busca

O perfil não é o leigo, é o oposto: tende a ser o usuário mais experiente, que sabe avaliar fontes e quer ver a página original. Pesquisas de comportamento mostram que a confiança em respostas de IA cai para perto de 35% quando a decisão é “cara” (compra, contratação, tratamento).

Esse público clica mais, permanece mais tempo e converte melhor. Para um negócio, vale mais um visitante que lê a página inteira do que dez que só leram um resumo de IA e seguiram em frente.

ComportamentoUsuário de busca com IAUsuário de busca “limpa”
Clica em linksRaramente (zero-click)Quase sempre
Lê a página completaNão, lê o resumoSim
Compara fontesNãoSim
Probabilidade de converterBaixaAlta

A lição é direta: o tráfego que sobra para quem não aparece no AI Overview ainda é tráfego de alta qualidade — desde que a página entregue profundidade real.

O que isso muda na sua estratégia de conteúdo

Depender só de “caber” no resumo da IA é frágil, porque o Google escolhe o que citar e raramente manda clique. A saída é construir páginas que funcionem nos dois mundos: citáveis pela IA e valiosas para quem ignora a IA.

Isso passa por reforçar autoridade de tema e não só palavras-chave soltas. Trabalhar entity SEO — ser reconhecido pelo Google como referência sobre uma entidade, não só por um termo — protege seu site nos dois cenários.

Páginas com dados próprios, tabelas e respostas diretas continuam ganhando posição. Quem organiza o conteúdo para featured snippet (a posição zero, com resposta destacada) já está, na prática, otimizando para os dois tipos de leitor.

Como preparar seu site para os dois públicos

Não há mágica: a defesa é conteúdo profundo e bem estruturado. Veja a sequência prática:

  1. Responda a dúvida no primeiro parágrafo — serve para a IA citar e para o leitor humano confirmar que achou o lugar certo.
  2. Adicione um dado concreto por seção — número, benchmark ou exemplo que ninguém mais tem.
  3. Use tabelas e listas — facilitam a leitura humana e a extração pela IA.
  4. Cite fontes visíveis — o público que foge da IA valoriza ver de onde veio a informação.
  5. Aprofunde além do resumo — entregue o que um AI Overview de 3 linhas nunca vai entregar.

Negócios que tratam SEO como projeto de autoridade, e não como caça a palavra-chave, saem na frente. Se a operação interna não dá conta, uma consultoria de SEO ajuda a montar essa estrutura de conteúdo defensável.

O recado final é simples: a IA na busca não eliminou o clique, ela apenas separou o público. Quem entrega profundidade fica com a parte que ainda vale ouro.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.