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Meta caminha para ultrapassar o Google em receita de anúncios pela primeira vez

· Givanildo Albuquerque
Meta caminha para ultrapassar o Google em receita de anúncios pela primeira vez

A Meta está a caminho de ultrapassar o Google em receita publicitária global pela primeira vez na história. De acordo com projeções de mercado compiladas pelo Search Engine Land, a empresa dona do Instagram, Facebook e WhatsApp deve faturar mais com anúncios do que o Google em 2025. O marco representa uma mudança estrutural no mercado de mídia paga: plataformas construídas sobre automação de campanhas e métricas de performance direta estão ganhando espaço sobre o modelo tradicional baseado em intenção de busca. Para quem anuncia, a notícia não é sobre escolher um lado — é sobre entender onde cada real investido gera mais retorno.

A disputa entre Google e Meta pela liderança em receita publicitária dura mais de uma década. O Google dominou esse ranking desde o início da publicidade digital, impulsionado pelo Search Ads e pelo YouTube. Mas o crescimento acelerado da Meta nos últimos anos — especialmente via Reels, Stories e avanços em IA para segmentação — inverteu a trajetória.

O que os números mostram

A projeção coloca a Meta à frente do Google em receita global de anúncios já em 2025. Esse avanço reflete tendências que vinham se acumulando:

IndicadorGoogle AdsMeta Ads
Modelo principalIntenção de busca (search)Descoberta e comportamento (feed/reels)
Motor de crescimento recenteYouTube, Performance MaxReels, Advantage+ Shopping
Força em automaçãoPerformance Max (caixa-preta)Advantage+ (otimização criativa por IA)
Base de usuários ativos~4,3 bi (ecossistema Google)~3,9 bi (Facebook + Instagram + WhatsApp)

O dado mais relevante não é o valor absoluto, mas a velocidade da virada. A Meta vinha crescendo em ritmo de dois dígitos trimestre após trimestre, enquanto o crescimento do Google desacelerou em categorias como Search.

Por que a Meta avançou tão rápido

Três fatores explicam a ultrapassagem:

  1. Automação agressiva de campanhas. O Advantage+ Shopping Campaigns reduziu a necessidade de configuração manual e entregou resultados competitivos para e-commerce. Anunciantes que antes precisavam de equipes especializadas passaram a obter ROAS (retorno sobre investimento em anúncios) comparável com menos esforço operacional.

  2. Reels como máquina de monetização. O formato de vídeo curto não apenas reteve usuários que migravam para o TikTok, mas se tornou um dos inventários publicitários de maior crescimento no mundo. A Meta reportou que Reels já responde por uma parcela significativa da receita do Instagram.

  3. IA aplicada à segmentação. Após o impacto do ATT da Apple (App Tracking Transparency, a política que restringiu rastreamento no iOS), a Meta investiu pesadamente em modelos de IA próprios para reconstruir a capacidade de segmentação. O resultado: campanhas com menos dados de terceiros, mas com performance recuperada.

O que muda para quem anuncia no Google

A ultrapassagem da Meta não significa que o Google perdeu relevância. O Search continua sendo o canal com maior intenção de compra — quem busca “plano de saúde empresarial” está mais perto da conversão do que quem vê um Reel sobre o tema.

Mas o sinal é claro: depender exclusivamente do Google Ads é cada vez mais arriscado. O custo por clique (CPC) no Search subiu consistentemente, e o Performance Max ainda gera dúvidas sobre transparência e controle. Quem anuncia precisa diversificar.

Para anunciantes que já investem em Google Ads, vale revisar a estrutura de campanha e avaliar se parte do orçamento renderia mais em Meta Ads — especialmente para topo de funil e reconhecimento de marca.

O que fazer na prática

Para donos de negócio que anunciam online, a virada Meta vs. Google exige ações concretas:

  1. Auditar a distribuição de verba. Se 100% do orçamento está no Google, testar 20-30% em Meta Ads com campanhas Advantage+ por 30 dias.
  2. Medir ROAS por canal, não no agregado. Usar UTMs e atribuição por plataforma para comparar custo por lead real entre Google e Meta.
  3. Investir em criativo. Na Meta, o criativo (imagem/vídeo) é o maior fator de performance. Campanhas com 3-5 variações de criativo superam campanhas com peça única.
  4. Testar Reels Ads. O inventário ainda está em fase de crescimento, o que significa CPMs (custo por mil impressões) mais baixos que feed tradicional.
  5. Não abandonar o Search. Para termos com alta intenção de compra, o Google Ads continua imbatível. A estratégia ideal é complementar, não substituir.

Quem já enfrenta campanhas sem resultado no Google Ads pode encontrar no Meta Ads uma alternativa para destravar o funil — especialmente em segmentos onde o visual e a prova social pesam na decisão de compra.

O cenário para 2026

Se a tendência se confirmar, o mercado de mídia paga entra em uma nova fase onde nenhuma plataforma domina sozinha. Google mantém a força em intenção de busca. Meta lidera em descoberta e automação. TikTok cresce como terceira força. E a IA generativa começa a redesenhar como anúncios são criados e segmentados em todas as plataformas.

Para donos de negócio, a lição é simples: diversificação deixou de ser recomendação e virou necessidade operacional.

Fonte: Search Engine Land

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.