IA & Marketing

Google testa assistente de IA no Merchant Center para acelerar setup e otimização

· Givanildo Albuquerque

O Google começou a testar o Merchant Advisor, um assistente de IA (inteligência artificial) dentro do Merchant Center, plataforma usada por varejistas para cadastrar produtos, corrigir erros de catálogo e melhorar a exibição das ofertas nas superfícies do Google. Na prática, a novidade tenta reduzir uma dor antiga do e-commerce: a dependência de conhecimento técnico para acertar configurações, políticas e diagnósticos que impactam a entrega de anúncios e listagens. Para quem vende online, o movimento importa menos pelo nome da ferramenta e mais pelo que ele sinaliza: o Google quer transformar o Merchant Center em uma interface guiada, com recomendações automáticas e ajuda contextual para acelerar setup, corrigir gargalos e aumentar a qualidade do feed (arquivo com os dados dos produtos), algo que pode mexer diretamente em visibilidade, custo por resultado e velocidade de operação.

O teste foi reportado pela Search Engine Land em 13 de maio de 2026. Segundo a publicação, o Merchant Advisor aparece como um chatbot (assistente conversacional) dentro do Merchant Center e entrega recomendações personalizadas para setup, solução de problemas e otimização da conta.

Entre os exemplos citados estão tarefas como configurar a política de devolução e concluir etapas de configuração da conta. Isso mostra que o foco inicial não parece ser “criar campanha sozinho”, mas remover travas operacionais que atrasam a entrada ou o ganho de performance de lojas menores e equipes enxutas.

Mudança em testeO que fazImpacto prático para quem anuncia
Merchant Advisor no Merchant CenterSugere tarefas e correções dentro da plataformaReduz dependência de suporte e tentativa e erro
Recomendações personalizadasIndica ações com base na situação da contaAjuda a priorizar ajustes com efeito mais rápido
Foco em setup e diagnósticoOrienta configuração, políticas e qualidade do feedDiminui risco de conta incompleta ou mal configurada
Tendência de interface guiadaLeva IA para o dia a dia operacionalPressiona anunciantes a operar com mais agilidade

Sim: o impacto é operacional e já aparece em pelo menos 2 tarefas concretas

A mudança mais importante é simples: o Google está levando ajuda contextual para dentro do ponto onde muita loja trava. A reportagem cita pelo menos 2 tipos de ação sugerida pelo assistente, como política de devolução e configuração da conta, e isso já basta para mostrar que o objetivo é melhorar a base da operação antes mesmo da mídia escalar.

Para o dono de negócio, isso tem efeito direto porque problema de Merchant Center raramente fica isolado no painel. Feed incompleto, atributo errado ou política não configurada podem reduzir alcance, limitar aprovação de produtos e atrapalhar a leitura real do que é uma conversão dentro da estratégia.

Na prática, o Merchant Advisor pode encurtar o caminho entre “conta criada” e “conta saudável”. Isso tende a beneficiar principalmente operações que anunciam sem time técnico dedicado, mas também pode acelerar auditorias internas em contas maiores.

Não é um teste isolado: o Google já empurrou esse modelo para 2 outras frentes

O Merchant Advisor segue um padrão que o Google já vinha aplicando em pelo menos 2 produtos: Google Ads Advisor e Analytics Advisor. O dado importa porque mostra que não se trata de um experimento solto, e sim de uma estratégia mais ampla de embutir copilotos (assistentes que sugerem ações dentro da ferramenta) nos produtos de marketing.

Para quem investe em mídia, isso muda a forma de operar. Antes, boa parte da curva de aprendizado dependia de documentação, suporte, agência ou leitura manual de diagnósticos; agora, o Google quer encurtar isso com assistência dentro do fluxo.

Esse movimento pode ajudar, mas também exige leitura crítica. Se a plataforma passa a sugerir o que corrigir e o que priorizar, cresce a importância de saber validar se a recomendação melhora margem, volume qualificado e custo por lead, em vez de apenas “deixar a conta mais bonita”. Em contas com histórico de campanha Google Ads sem resultado, essa diferença entre recomendação automática e impacto real no caixa fica ainda mais relevante.

Vale acompanhar de perto: há 3 efeitos prováveis para custo, velocidade e dependência técnica

O teste ainda está em beta, mas já permite antecipar 3 efeitos práticos. O primeiro é ganho de velocidade, porque tarefas simples deixam de depender de navegação manual e descoberta por tentativa; o segundo é redução de erros básicos de configuração; o terceiro é aumento da dependência do próprio ecossistema do Google para orientar prioridades da operação.

O lado bom é óbvio: menos tempo perdido com ajustes operacionais e mais chance de entrar em circulação com o catálogo certo. O lado que merece atenção é estratégico: se o anunciante seguir todas as sugestões sem filtro, pode confundir conformidade de plataforma com vantagem competitiva.

Por isso, o melhor uso dessa novidade não é obedecer ao assistente, mas usá-lo como camada de triagem. Ele pode apontar o que está quebrado, mas a decisão sobre orçamento, segmentação, margem e meta de aquisição continua exigindo critério humano e, em muitos casos, integração com automação e análise mais profunda, como já acontece quando se busca usar IA para otimizar Google Ads ou reduzir CPL com IA.

O que fazer agora: 4 passos para testar sem virar refém da automação

  1. Revisar o básico do Merchant Center antes de o recurso chegar, com foco em políticas, dados de produto e alertas de diagnóstico.
  2. Separar problemas operacionais de problemas de oferta, porque assistente nenhum corrige preço ruim, frete fraco ou página de produto ruim.
  3. Medir impacto por indicador real, como aprovação de produtos, volume qualificado e custo por lead, e não só por quantidade de recomendações concluídas.
  4. Registrar quais sugestões geram resultado e quais são apenas burocráticas, criando um processo interno para não terceirizar o raciocínio à plataforma.

O ponto central é este: o Merchant Advisor pode ser útil para reduzir atrito, mas não substitui estratégia. Quem usar a novidade como apoio tático tende a ganhar eficiência; quem tratar a IA do painel como direção completa de negócio corre o risco de operar melhor o sistema, sem necessariamente vender melhor.

Fonte: Search Engine Land

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.