SEO

Google revela: AI Mode tem 650 milhões de usuários por mês após 1 ano

· Givanildo Albuquerque

O Google divulgou pela primeira vez números oficiais de uso do AI Mode (modo de busca com respostas geradas por IA) após um ano de operação: são 650 milhões de usuários mensais globalmente, com expansão para 40 idiomas e 200 países. O recurso, que substitui a página tradicional de resultados por uma resposta conversacional gerada por IA, agora está disponível como aba padrão na busca do Google em desktop e mobile. Para donos de negócio que dependem de tráfego orgânico, isso significa que cerca de 1 em cada 6 usuários ativos do Google já interage com buscas onde o clique para o site é opcional, não obrigatório. A análise de impacto precisa considerar três frentes: redução de CTR para queries informacionais, mudança de padrão de tráfego (menos visitantes, mais qualificados) e a necessidade urgente de aparecer como fonte citada dentro das respostas geradas.

O dado foi compartilhado pelo CEO Sundar Pichai durante apresentação interna e confirmado pela equipe de Search do Google. É a primeira vez que a empresa quantifica o uso do AI Mode desde o lançamento em maio de 2025.

O número de 650 milhões coloca o AI Mode em escala comparável ao Bing inteiro (que tem cerca de 900 milhões de usuários únicos mensais). Em outras palavras: o Google criou, em 12 meses, um produto de busca que rivaliza com o segundo maior buscador do mundo.

O que mudou em 1 ano de AI Mode

Desde o lançamento, o AI Mode passou por três grandes evoluções. A tabela abaixo resume o que está disponível hoje versus o que existia no lançamento.

RecursoLançamento (mai/2025)Hoje (mai/2026)
Idiomas suportados1 (inglês)40
Países1 (EUA)200+
MultimodalidadeApenas textoTexto, imagem, voz
Integração com MapsNãoSim (busca local)
Citações de fontesInconsistentePadronizado (até 8 links)
AcessoOpt-in via LabsAba padrão na SERP

A mudança mais relevante para SEO foi a padronização das citações. No início, o AI Mode raramente mostrava de onde tirou a resposta. Hoje, cada resposta vem com até 8 links visíveis para as fontes consultadas.

Isso reabre uma janela de tráfego que parecia fechada: aparecer como uma dessas 8 fontes vale mais que estar na posição 3 orgânica tradicional. A lógica de entity SEO se aplica diretamente — o Google escolhe fontes que reconhece como entidades autoritativas no tópico, não apenas páginas bem otimizadas.

Impacto no CTR orgânico tradicional

Dados do estudo Semrush de abril/2026 mostram que queries que ativam AI Mode têm queda média de 34,5% no CTR do primeiro resultado orgânico. O número parece catastrófico, mas tem nuance importante.

A queda concentra-se em queries informacionais (“o que é”, “como funciona”, “quanto custa”). Queries transacionais (“comprar”, “contratar”, “plano”) mantêm CTR praticamente estável, porque o usuário precisa sair do AI Mode para concluir a ação.

Isso muda a estratégia de conteúdo. Posts puramente informacionais perdem ROI. Posts que combinam resposta informacional + caminho para conversão ganham peso, porque capturam o usuário que sai do AI Mode procurando “como fazer isso na prática”.

Como adaptar a estratégia de conteúdo

Para se posicionar bem no novo cenário, a abordagem precisa mudar. Não basta mais ranquear — é preciso ser citado.

  1. Estruturar parágrafos em formato citável: 134-167 palavras, auto-contidos, com a resposta direta no início. O AI Mode prefere extrair blocos que respondem a pergunta sem precisar do contexto da página inteira.
  2. Adicionar dados originais: estudos próprios, benchmarks de cliente, números de mercado. O AI Mode prioriza fontes com dados que não existem em outras páginas.
  3. Marcar entidades com schema: usar Organization, Person, Product e FAQPage schema. Isso ajuda o modelo a entender quem você é dentro do grafo de conhecimento do Google.
  4. Cobrir variações da query: o AI Mode trabalha com clusters semânticos, não keywords isoladas. Um post que cobre “plano de saúde”, “convênio médico” e “assistência médica” tem mais chance de ser citado que três posts separados.
  5. Reduzir fluff inicial: cortar introduções genéricas. A resposta importante precisa estar nos primeiros 300 caracteres do parágrafo principal.

Quem quiser entender em profundidade como ajustar conteúdo para esse novo cenário pode olhar um consultoria SEO específica para o modelo de IA, já que ferramentas tradicionais de rank tracking não medem citação em AI Mode.

O que monitorar nos próximos 6 meses

O Google indicou que o AI Mode deve ganhar funcionalidades agentes (executar ações por conta do usuário) até o fim de 2026. Quando isso acontecer, o impacto em verticais como e-commerce e serviços será ainda maior.

Para donos de negócio, três métricas merecem monitoramento mensal: percentual de queries da marca que aparecem em AI Mode, número de citações como fonte em respostas geradas e mudança no padrão de tráfego (sessões por usuário, profundidade de navegação). Essas métricas, combinadas, mostram se a estratégia está acompanhando a transição ou ficando para trás.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.