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Google lança Core Update junto com a virada para AI Mode na busca

· Givanildo Albuquerque

O Google lançou um novo Core Update (atualização ampla do algoritmo de busca) na mesma semana em que anunciou no Google I/O uma reformulação completa da busca com IA. A combinação dos dois eventos não é coincidência: a Search Generative Experience deu lugar ao AI Mode, e a empresa precisa recalibrar como classifica páginas que serão usadas como fonte por respostas geradas por inteligência artificial. Sites que perderam tráfego em atualizações anteriores podem ver recuperação parcial, enquanto páginas que ranqueavam bem por sinais frágeis (densidade de palavras-chave, backlinks de baixa qualidade, conteúdo raso) tendem a cair. O update afeta resultados globais e impacta tanto a busca tradicional quanto as respostas geradas por IA. Para donos de negócio, o recado é claro: o tráfego orgânico voltou a ser instável, e quem não tem diversificação de canal vai sentir.

O anúncio veio acompanhado da expansão do AI Mode para todos os usuários nos Estados Unidos, sem necessidade de optar pelo Labs (programa de experimentação do Google). A interface mostra respostas geradas por IA no topo, com links para fontes, e empurra os 10 links azuis tradicionais para baixo da dobra em muitas consultas.

Para o SEO, isso significa dois movimentos simultâneos: o Core Update reorganiza o ranking orgânico clássico, e o AI Mode redefine o que significa “aparecer no Google”. Virar citação em uma resposta de IA passa a valer mais do que estar em segunda ou terceira posição.

O que muda com o AI Mode na busca

O AI Mode usa um modelo Gemini 2.5 customizado para responder consultas complexas em formato conversacional. Segundo o Google, ele processa cerca de 3x mais informação por consulta que a Search Generative Experience anterior e cita entre 5 e 12 fontes por resposta.

Na prática, isso muda três coisas centrais:

Antes (busca clássica)Agora (AI Mode)
10 links azuis na primeira telaResposta gerada + 5-12 citações
CTR concentrado nas posições 1-3CTR distribuído entre fontes citadas
Otimização por palavra-chave exataOtimização por entidade e contexto
Conteúdo raso podia ranquearProfundidade vira critério primário

A consequência mais imediata: sites que vivem de tráfego informacional (“o que é X”, “como fazer Y”) devem ver queda em cliques mesmo mantendo posição, porque a resposta aparece direto na SERP. Se a sua estratégia depende desse tipo de tráfego, vale entender a fundo o que é entity SEO antes de continuar publicando no piloto automático.

Quem ganha e quem perde com este Core Update

Historicamente, Core Updates do Google premiam três fatores: experiência demonstrada do autor (E-E-A-T — Experience, Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness), profundidade de conteúdo e sinais de satisfação do usuário. Quem ignora um desses três tende a sofrer ajuste negativo.

Os perfis que tendem a ganhar:

  1. Sites com autoria clara, fotos reais e biografia detalhada
  2. Conteúdos que respondem a perguntas específicas com dados verificáveis
  3. Páginas que cobrem o tópico em profundidade (acima de 1.500 palavras)
  4. Sites com baixo bounce rate e tempo médio na página acima de 2 minutos

Os perfis que tendem a perder:

  1. Conteúdo gerado por IA sem revisão humana ou ângulo próprio
  2. Sites com biografias genéricas ou ausência de autor identificado
  3. Páginas curtas (abaixo de 800 palavras) cobrindo temas YMYL (Your Money or Your Life — saúde, finanças, jurídico)
  4. Domínios com perfil de backlinks suspeito ou ligados a PBN (Private Blog Network — rede privada de blogs criada para passar autoridade artificial)

Para quem perdeu posições, a recomendação é não reverter mudanças imediatamente. Core Updates levam 2 a 3 semanas para se estabilizar, e ajustes feitos durante o rollout costumam piorar o cenário antes de melhorar.

Como se preparar nas próximas semanas

Independentemente do impacto imediato do update, cinco ações fazem sentido para qualquer site que depende de busca orgânica agora:

  1. Auditar conteúdo antigo — identificar posts publicados antes de 2024 sem atualização e reescrever ou redirecionar via 301
  2. Reforçar autoria — colocar foto real, biografia detalhada e schema Person em todos os autores do site
  3. Mapear consultas que viraram AI Mode — testar manualmente as 20 principais palavras-chave do site. Onde a IA já responde, ajustar o conteúdo para virar fonte citada (resposta direta no topo, dados verificáveis, estrutura escaneável)
  4. Diversificar canal de aquisição — se 80% do tráfego vem do Google, expandir para email, redes sociais ou tráfego pago. Quem vive só de SEO está mais vulnerável agora
  5. Investir em pesquisa primária — dados próprios, estudos de caso e benchmarks originais são citados pela IA. Conteúdo agregado de outras fontes não

Para negócios que dependem de tráfego pago como compensação enquanto o orgânico oscila, vale revisar a estrutura de campanha Google Ads para garantir que o CPL (custo por lead) não dispare junto com a instabilidade no orgânico.

A semana de Google I/O e Core Update simultâneos marca um ponto de virada. O SEO não morreu, mas mudou de meta: agora o objetivo é virar fonte da IA, não competir com ela por cliques.

Fonte: Google Launches Core Update Amid I/O AI Search Overhaul – SEO Pulse

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.