Comportamento muda entre AI Overviews e AI Mode: o que o Google descobriu sobre o novo SERP
Um estudo recente de clickstream (dados anônimos de navegação real de milhares de usuários) revelou que o comportamento de busca está se fragmentando em dois mundos distintos: AI Overviews (os resumos de IA que aparecem no topo da SERP tradicional do Google) e AI Mode (o modo conversacional dedicado, similar ao ChatGPT). Em AI Overviews, usuários passam mais tempo avaliando a página, fazem scroll reverso (rolam para cima depois de descer) e ainda clicam em links azuis tradicionais. Em AI Mode, a sessão é mais longa, mas o clique para fora praticamente desaparece — o usuário conversa, refina e sai com a resposta sem visitar nenhum site. Para quem depende de tráfego orgânico, isso significa que medir só CTR (taxa de clique) já não basta: a disputa agora é por ser CITADO pela IA, não apenas linkado.
O levantamento da Previsible, divulgado pelo Search Engine Land, analisou padrões reais de navegação em vez de só dados públicos do Search Console. O que apareceu foi um padrão que muitos SEOs vinham sentindo na pele há meses, mas sem dado para sustentar.
A principal descoberta: o usuário não trata os dois formatos como a mesma coisa. AI Overviews ainda é tratado como “busca” — o usuário lê o resumo, desconfia, valida em links abaixo. AI Mode é tratado como “conversa” — o usuário aceita a resposta, faz follow-up e fecha a aba.
Scroll reverso: o novo sinal de avaliação na SERP
O comportamento mais curioso identificado foi o scroll reverso — quando o usuário rola para baixo, lê os resultados orgânicos, e depois volta para o AI Overview para reler. Esse padrão apareceu em cerca de 40% das sessões com AI Overview analisadas pelo estudo.
Isso quebra a lógica antiga de que o usuário lê de cima para baixo e clica no primeiro link relevante. Hoje, ele faz uma varredura completa, compara o resumo da IA com os links orgânicos e só então decide.
Para quem produz conteúdo, a implicação é direta: não basta estar no topo. O conteúdo precisa REFORÇAR ou COMPLEMENTAR o que o AI Overview já disse — caso contrário, o usuário lê o resumo, valida visualmente que seu link existe, e vai embora sem clicar.
AI Mode: sessões 3x mais longas, mas quase zero cliques
A diferença mais brutal está no AI Mode. A sessão média dura 2 a 3 vezes mais que uma busca tradicional, mas o número de cliques para sites externos cai drasticamente.
| Métrica | Busca tradicional | AI Overviews | AI Mode |
|---|---|---|---|
| Duração média da sessão | Curta | Média | Longa (2-3x) |
| CTR para sites externos | Alto | Médio (queda de ~30%) | Muito baixo |
| Scroll reverso | Raro | ~40% das sessões | N/A |
| Refinamento da query | Em nova busca | Em nova busca | Na mesma conversa |
Isso muda o que significa “ranquear”. Em AI Mode, o objetivo deixa de ser receber o clique e passa a ser ser CITADO como fonte na resposta gerada. É o que vem sendo chamado de entity SEO — otimizar para que a IA reconheça sua marca como entidade autoritativa sobre o tema.
O que muda para quem investe em SEO
A tentação de abandonar SEO porque “a IA mata o clique” é exatamente o erro contrário. O que o estudo mostra é que SEO tradicional ainda funciona em AI Overviews — só funciona DIFERENTE.
O que precisa ser revisto:
- Métrica principal: parar de olhar só CTR e começar a medir menções/citações em respostas de IA
- Estrutura do conteúdo: parágrafos curtos, definições claras logo no início, dados concretos com fonte
- Autoridade da marca: aparecer em fontes que a IA já confia (Wikipedia, sites do nicho, dados oficiais)
- Featured snippets ainda valem: continuam sendo um dos principais inputs para AI Overviews. Para nichos específicos, ver como conquistar featured snippet em saúde
- Conteúdo de tópico cluster: cobrir um tema em profundidade aumenta a chance de ser citado como fonte primária
Como testar se seu site está aparecendo em AI Overviews
Não existe dashboard oficial do Google mostrando “você foi citado X vezes”. Mas dá para auditar manualmente.
Passos práticos:
- Liste suas 20 queries principais (as que mais geram tráfego no Search Console)
- Pesquise cada uma logado no Google em modo anônimo
- Anote: AI Overview aparece? Seu link está citado nas fontes? Em que posição?
- Repita o teste no AI Mode (google.com/aimode)
- Para queries onde NÃO aparece, analise: quem aparece? Qual o formato do conteúdo deles?
- Refaça o conteúdo da página seguindo o padrão dos citados
Esse processo manual revela mais do que qualquer ferramenta paga de “AI SEO” no momento. A maioria delas ainda está em beta e os dados oscilam demais.
A pergunta certa não é “como recuperar o tráfego”
O comportamento descrito no estudo não é uma fase. É a nova normal da busca. Empresas que ainda esperam o Google “voltar ao normal” estão perdendo tempo.
A pergunta certa é: o que minha marca precisa ser para que a IA me cite quando alguém perguntar sobre o meu mercado? A resposta envolve conteúdo de profundidade, dados próprios, autoridade construída ao longo do tempo. Para quem está começando, vale considerar uma consultoria SEO especializada para mapear o que precisa ser ajustado antes de investir em produção de conteúdo no escuro.
O tráfego de busca não vai sumir. Ele vai ficar mais qualificado — quem clicar depois de ler um AI Overview já chega praticamente decidido. O desafio é estar entre os poucos que ainda recebem esse clique.
Fonte: Search Engine Land — Users behave differently in AI Overviews vs. AI Mode
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.