IA & Marketing

ChatGPT lidera em leads, mas Perplexity e Gemini pedem estratégia por nicho

· Givanildo Albuquerque

A disputa entre ChatGPT, Perplexity e Gemini já saiu do campo da curiosidade e entrou na planilha de vendas: o painel destacado pela Search Engine Journal mostra que tráfego vindo de IA generativa (respostas produzidas por modelos como ChatGPT e Gemini) começa a gerar conversões reais, mas de forma desigual entre plataformas e setores. Os sinais mais objetivos apontam para uma liderança ampla do ChatGPT em volume, enquanto Perplexity e Gemini aparecem menos no total, porém ganham relevância em pesquisas mais técnicas e jornadas de compra mais complexas; para quem anuncia, a leitura prática é simples: não faz sentido dividir esforço de otimização de forma igual, porque o canal que mais aparece nem sempre é o que melhor encaixa no tipo de cliente, no momento da decisão e no formato de atendimento que a empresa consegue sustentar.

A peça da Search Engine Journal funciona como chamada para um painel sob demanda, não como estudo técnico completo publicado em texto. Ainda assim, o tema importa porque consolida uma mudança real: plataformas de IA já começaram a interferir em descoberta, consideração e contato comercial.

Os números mais concretos associados ao debate aparecem em uma atualização da CallRail, que ampliou a base de análise para quase 30 milhões de chamadas. Nessa leitura, a fatia de ligações influenciadas por IA subiu de 0,073% em novembro para 0,095% em março, um avanço de 30% em quatro meses, o suficiente para tratar IA como canal emergente de aquisição e não mais como experimento.

PlataformaParticipação nas chamadas influenciadas por IASetores com mais traçãoO que isso muda na prática
ChatGPT90,1%Automotivo, saúde e jurídicoDeve ser a primeira prioridade de monitoramento e otimização
Perplexity6,3%Viagens, imobiliário e manufaturaVale atenção em compras mais pesquisadas e comparativas
Gemini2,4%Manufatura, serviços empresariais e educaçãoImporta mais onde a jornada passa por ecossistema Google
Claude1,2%Agências, manufatura e mercado imobiliárioAinda é nichado, mas ajuda a revelar dispersão do tráfego

ChatGPT lidera em volume, com 90,1% das chamadas influenciadas por IA

A resposta direta é esta: hoje, quem quer capturar demanda vinda de IA precisa começar por ChatGPT, porque ele concentrou 90,1% das chamadas influenciadas por IA na base analisada. Isso não significa exclusividade, mas mostra onde está o maior volume agora.

Para donos de negócio, a implicação é objetiva: presença em respostas de IA deixou de ser só assunto de branding e já encosta em conversão (ação que aproxima o usuário da venda, como ligação, formulário ou mensagem). Se a operação ainda não mede bem origem de lead, vale revisar conceitos básicos de o que é conversão antes de tentar comparar canal novo com Google Ads, SEO e redes sociais.

Outro ponto importante é o perfil do setor. No recorte divulgado, ChatGPT teve força maior em automotivo, saúde e jurídico, com 92%, 91,8% e 90,6% de participação dentro dos leads de IA desses segmentos, o que sugere maior aderência em buscas de recomendação rápida e decisão imediata.

Perplexity e Gemini importam menos em volume, mas podem valer mais em alguns nichos

A resposta curta é: Perplexity e Gemini ainda são menores no total, mas não devem ser ignorados quando a compra exige mais comparação ou contexto. O Perplexity apareceu com 11,8% em viagens e hospitalidade, 9,7% em real estate investment e 9,68% em manufatura, números altos para uma plataforma que representa só 6,3% do volume total.

Esse padrão interessa principalmente para empresas com ticket mais alto, ciclo mais racional e cliente que pesquisa bastante antes de falar com vendas. Nesses casos, a lógica não é disputar só clique, mas aumentar a chance de a marca ser citada quando a IA resume opções, o que conversa diretamente com práticas de entity SEO e organização semântica do site.

No Gemini, a presença foi mais modesta, com 2,4% do total, mas houve concentração em manufatura (5,7%), serviços empresariais (3,9%) e educação (3,8%). Para quem depende de ecossistema Google, isso sugere que conteúdo bem estruturado, páginas claras e integração entre intenção de busca e oferta ainda podem pesar mais do que tentar “otimizar para toda IA” ao mesmo tempo.

O maior impacto está na atribuição e na velocidade de resposta, não só na geração de tráfego

A resposta prática é direta: o ganho mais rápido não está apenas em aparecer na IA, mas em provar de onde veio o lead e atender rápido. Quando a participação de chamadas influenciadas por IA sobe de 0,073% para 0,095% em quatro meses, a discussão muda de tendência para operação.

Isso importa porque o funil de vendas (etapas entre descoberta e compra) fica mais curto. Segundo os sinais reunidos no material, muitas pessoas usam a IA para perguntar em quem confiar e partem direto para a ligação ou contato, pulando parte da navegação que antes distribuía melhor o crédito entre busca, site e remarketing.

Na prática, isso aumenta o risco de erro de leitura. Uma empresa pode achar que a campanha caiu de performance quando, na verdade, parte da demanda passou a nascer em respostas de IA e foi capturada por chamada, WhatsApp ou formulário sem marcação adequada; por isso, vale combinar rastreamento, CRM e automação antes de mexer em orçamento ou em usar IA para otimizar Google Ads.

Como testar sem desperdiçar orçamento

  1. Mapear quais leads chegaram por ligação, formulário e mensagem nos últimos 90 dias.
  2. Separar páginas de serviço que respondem dúvidas de decisão, não só páginas institucionais.
  3. Revisar títulos, FAQs, provas de confiança e descrições objetivas para facilitar citação por IA.
  4. Medir tempo de resposta comercial, porque lead de IA tende a chegar mais perto da decisão.
  5. Comparar custo e qualidade do lead antes de redistribuir verba entre SEO, mídia paga e conteúdo.

O erro mais comum daqui para frente será tratar ChatGPT, Perplexity e Gemini como canais iguais. O dado disponível aponta outra direção: um líder claro em volume, plataformas secundárias com força setorial e uma necessidade crescente de atribuição (identificação do canal que gerou o lead) para não tomar decisão com base em achismo.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.