IA & Marketing

ChatGPT entra no jogo dos anúncios por clique e pressiona o orçamento do Google Ads

· Givanildo Albuquerque

A OpenAI começou a testar anúncios em modelo CPC (custo por clique) dentro do ChatGPT, mudando a plataforma de uma vitrine de marca para um canal com cobrança por ação e comparação direta com Google Ads. Segundo a cobertura da Search Engine Land, os primeiros cliques estariam na faixa de US$ 3 a US$ 5 e a novidade chega junto de uma pressão clara de monetização, já que o CPM (custo por mil impressões) teria caído de cerca de US$ 60 para algo próximo de US$ 25 em alguns casos. Na prática, isso coloca a IA conversacional no radar de quem compra mídia com foco em ROI (retorno sobre o investimento), não só em alcance. Para donos de negócio, a leitura é simples: se o usuário começa a descobrir produtos e serviços dentro de uma conversa com IA, parte da verba de mídia pode migrar para onde houver mais intenção comercial e menor custo por conversão (ação valiosa, como lead ou venda).

O movimento ainda parece inicial e restrito, mas o recado do mercado é grande. Quando uma plataforma troca parte da lógica de exibição por cobrança em clique, ela deixa de vender apenas atenção e passa a vender resultado potencial.

Isso importa porque o orçamento de marketing é finito. Se o ChatGPT entregar tráfego qualificado, a comparação com busca paga será inevitável, especialmente em contas que já sofrem com campanha cara, pouco volume e dificuldade para escalar.

PontoAntes no ChatGPTAgora no teste da OpenAIO que muda para quem anuncia
Modelo principalCPM (custo por mil impressões)CPC (custo por clique)Fica mais fácil medir retorno real
Faixa citadaCPM perto de US$ 60 no inícioCPC entre US$ 3 e US$ 5Surge uma referência inicial de custo
ObjetivoBranding (fortalecimento de marca)Performance (resultado mensurável)Canal entra na disputa por verba direta
ConcorrênciaMais indireta com mídia displayMais direta com busca pagaGoogle Ads ganha novo rival

ChatGPT vira canal de performance, e o dado mais importante é o CPC de US$ 3 a US$ 5

Sim: a principal mudança é essa. Quando a cobrança passa para CPC (custo por clique), o gestor deixa de olhar só para visibilidade e começa a cobrar resultado com a mesma lógica usada em plataformas de mídia de resposta direta.

Para empresas menores, isso abre uma frente de teste mais racional. Em vez de discutir apenas presença em IA, passa a fazer sentido comparar custo por lead, taxa de conversão e qualidade do tráfego com campanhas já rodando em Google Ads, especialmente se a operação já acompanha bem o que é conversão e sabe quais ações realmente geram receita.

O ponto de atenção é que clique não significa venda. Se o ChatGPT gerar curiosidade, mas não intenção forte, o custo pode parecer competitivo no começo e decepcionar quando a análise chegar no funil completo.

A queda do CPM de US$ 60 para US$ 25 ajuda a explicar a virada de modelo

A resposta curta: a OpenAI precisa monetizar melhor a audiência. Se o CPM (custo por mil impressões) cai de cerca de US$ 60 para perto de US$ 25, a plataforma perde eficiência comercial no modelo antigo e busca um formato mais defensável para receita.

Para o anunciante, isso tem dois efeitos. O primeiro é positivo, porque canais em fase inicial costumam oferecer janelas de oportunidade antes de ficarem saturados; o segundo é de risco, porque preço atrativo no lançamento nem sempre vem acompanhado de escala, previsibilidade e boa segmentação.

Esse cenário lembra o começo de várias frentes de mídia nova: primeiro vem a curiosidade, depois chegam os benchmarks (referências de comparação), e só então o mercado separa o que é tráfego útil do que é apenas novidade. Quem hoje já sofre com campanha Google Ads sem resultado não deve trocar de canal sem critério, mas pode usar esse tipo de teste para comparar eficiência marginal.

O impacto real é na disputa por intenção comercial, não apenas por atenção

Sim: o centro da briga agora é intenção. O Google domina a busca paga porque o usuário já chega procurando uma solução, e a grande questão para o ChatGPT é provar que a conversa com IA consegue produzir cliques com valor parecido.

Esse é o teste mais importante para 2026. Se a conversa levar o usuário a pedir comparação, preço, fornecedor ou recomendação de serviço, o inventário publicitário da IA pode ficar muito mais valioso do que um banner comum.

Para negócios locais e serviços de ticket médio mais alto, isso merece atenção imediata. Nesses casos, poucas conversões boas pagam a mídia, então qualquer canal novo que capture demanda qualificada pode entrar no mix, desde que o acompanhamento de termos, páginas e mensagens esteja bem amarrado com estratégia de usar IA para otimizar Google Ads e leitura real de CPL (custo por lead).

O melhor caminho agora é testar pequeno, medir fundo e escalar só se houver conversão

A recomendação prática é simples: testar, mas com disciplina. Como a faixa inicial citada está entre US$ 3 e US$ 5 por clique, qualquer empresa consegue montar uma conta básica de viabilidade antes de comprometer verba maior.

  1. Definir uma oferta com alta intenção, como orçamento, simulação ou contato comercial.
  2. Separar uma landing page (página focada em conversão) específica para esse tráfego.
  3. Medir clique, lead, custo por lead e venda, não apenas volume de visitas.
  4. Comparar o resultado com campanhas equivalentes em Google Ads no mesmo período.
  5. Escalar só se a qualidade do lead for parecida ou melhor.

Quem fizer isso cedo pode ganhar aprendizado antes do canal encarecer. Quem entrar apenas pela novidade corre o risco de pagar por clique bonito em relatório e fraco em caixa.

No curto prazo, o impacto maior não é substituir o Google, mas obrigar anunciantes a rever onde a intenção do consumidor está nascendo. Se a descoberta de produtos começar dentro da IA, a verba tende a seguir esse comportamento.

Fonte: Search Engine Land

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.