IA & Marketing

ChatGPT Ads acelera: dados indicam canal caro, promissor e ainda difícil de medir

· Givanildo Albuquerque

Os anúncios no ChatGPT deixaram de ser experimento de nicho e entraram na fase em que precisam ser levados a sério por quem investe em mídia paga. Dados reunidos pela Adthena e repercutidos pela Search Engine Land indicam um salto rápido de escala, com monitoramento de dezenas de milhares de inserções diárias, mais de 600 anunciantes ativos no piloto e crescimento de 600% nas impressões em março de 2026, mas o pacote vem com um aviso importante: a taxa de cliques, ou CTR (percentual de pessoas que clicam após ver o anúncio), ainda está muito abaixo do Google Search, enquanto o CPM (custo por mil impressões) segue em patamar premium. Em português claro, o canal ganhou volume e atraiu marcas grandes, porém continua caro, limitado e com medição fraca, o que exige teste controlado em vez de migração apressada de verba.

O ponto central da notícia é simples: o mercado já tem evidência suficiente para tratar ChatGPT Ads como um novo inventário de intenção comercial, não como curiosidade. A surpresa maior é que os anúncios aparecem cedo na conversa, muitas vezes já no primeiro prompt, o que muda a lógica de captura de demanda.

Isso importa porque a disputa deixa de acontecer só no buscador tradicional e passa a acontecer também dentro da resposta da IA. Para quem já anuncia no Google, o movimento lembra uma nova camada de pesquisa orientada por contexto, e vale revisar desde já a qualidade da oferta, da copy e da página de destino, especialmente se a conta já sofre com campanha Google Ads sem resultado.

IndicadorO que os dados mostramLeitura prática
Anunciantes ativos600+ marcas no pilotoO canal já saiu da fase de teste artesanal
CTR (taxa de cliques)0,91% no ChatGPT vs. 6,4% no Google SearchClique ainda é mais escasso e caro de justificar
Crescimento de impressões+600% em meados de março de 2026A oferta de inventário está abrindo rápido
Participação do varejo44% das inserções iniciaisE-commerce e categorias com intenção forte saem na frente
Receita anualizadaUS$ 100 milhões em 6 semanasOpenAI tem incentivo real para expandir o produto
Projeção do mercadoUS$ 26 bilhões em busca com IA até 2029Não é moda passageira, é novo espaço de mídia

O que os dados já mostram

A resposta curta é: o inventário existe, está crescendo e já tem padrão de uso. O recorte mais forte é que o varejo respondeu por 44% das primeiras inserções monitoradas, enquanto a Adthena diz acompanhar 300 mil prompts por dia e a Search Engine Land destaca a presença de mais de 600 anunciantes no piloto.

Na prática, isso favorece categorias em que o usuário já entra perguntando o que comprar, qual marca escolher ou qual opção vale mais a pena. Esse comportamento aproxima o canal de uma busca comercial, mas com uma diferença importante: o anúncio entra no fluxo da conversa, não em uma página cheia de links azuis.

Outro dado relevante é o CTR de 0,91%, quase 7 vezes abaixo dos 6,4% citados para Google Search no mesmo comparativo. Isso não mata o canal, mas obriga a olhar além do clique e entender melhor o que é conversão antes de declarar vitória ou fracasso.

O que muda para quem anuncia

A resposta direta é: a inteligência de contexto passa a pesar mais que a lista tradicional de palavras-chave. Segundo a Adthena, prompts com termos de alta intenção, como melhor e comprar, acionam anúncios com frequência, e parte das exibições aparece já na primeira interação.

Isso muda o jogo porque a segmentação depende menos de histórico de navegação e mais do contexto imediato da pergunta. Em outras palavras, a criatividade do anúncio, a aderência da oferta e a sintonia com a dúvida do usuário ficam ainda mais críticas do que em campanhas baseadas só em correspondência de termo.

Também muda a relação entre mídia paga e visibilidade orgânica. Se a conversa da IA mistura resposta, recomendação e espaço patrocinado, SEO (otimização para mecanismos de busca) e mídia paga deixam de operar em caixas separadas; quem já estuda entity SEO e usar IA para otimizar Google Ads ganha vantagem por entender melhor intenção, autoridade de marca e linguagem de consulta.

Onde está o risco real hoje

A resposta é: medição. Mesmo com US$ 100 milhões em receita anualizada em apenas 6 semanas e expansão do Ads Manager, o mercado ainda reclama de pouca transparência para provar ROI (retorno sobre investimento).

Para dono de negócio, isso significa uma coisa bem objetiva: não faz sentido tirar verba madura de Google ou Meta para apostar pesado em ChatGPT sem um plano de teste. O canal pode funcionar melhor como laboratório de aprendizado sobre intenção, mensagem e categoria do que como máquina previsível de volume no curto prazo.

O preço também pede cautela. Com CPM na faixa de US$ 60 nos dados públicos iniciais e queda recente em alguns relatos de mercado, o canal continua premium e tende a favorecer quem já tem margem, operação comercial organizada e capacidade de aprender rápido.

Como testar sem queimar caixa

A resposta prática é começar pequeno, com hipótese clara e critério de corte. Se a plataforma abrir mais o autosserviço, o melhor caminho é tratar ChatGPT Ads como uma frente de validação, não como substituto imediato do que já funciona.

  1. Escolha uma oferta com intenção comercial clara e ticket suficiente para aguentar mídia premium.
  2. Separe uma landing page específica, com promessa e prova alinhadas à pergunta do usuário.
  3. Meça microconversões primeiro, como clique qualificado, cadastro ou início de contato, antes de cobrar escala.
  4. Compare o aprendizado de copy e intenção com campanhas já ativas no Google.
  5. Pause rápido se o custo subir sem sinal de qualidade comercial.

Para empresas menores, o ganho imediato pode nem vir do canal em si, mas do ajuste de mensagem que ele força. Quem aprende a responder perguntas de intenção alta com mais precisão tende a melhorar também o desempenho em busca tradicional, conteúdo e CRM (gestão do relacionamento com clientes).

Fonte: Search Engine Land, Adthena, OpenAI Help Center

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.