CEO do Google: Busca Vai Virar Gerenciador de Agentes de IA
Sundar Pichai, CEO do Google, declarou que o futuro da busca não é mais uma caixa de texto esperando a digitação do usuário — é um sistema que gerencia agentes de inteligência artificial executando tarefas completas de forma autônoma. Em vez de o usuário pesquisar “melhor plano de saúde São Paulo” e receber uma lista de links, um agente de IA vai pesquisar, comparar coberturas, verificar preços e até iniciar contato com a operadora escolhida — tudo sem que o usuário precise clicar em nada. A declaração sinaliza uma mudança estrutural no modelo que sustenta o Google Ads e o SEO como o mercado conhece hoje. Para quem gera leads por tráfego pago ou orgânico, a pergunta não é mais “como aparecer na busca” — é “como ser o destino que os agentes vão recomendar”.
A visão foi apresentada por Pichai em declarações recentes sobre o papel do Google no ecossistema de IA. Segundo ele, o Google Search está evoluindo para um “agente de agentes” — uma plataforma que não apenas executa buscas, mas coordena múltiplos sistemas de IA para completar objetivos complexos do usuário. O Google AI Overview, já visível nos resultados de busca, é a versão 1.0 dessa transição.
A empresa já tem produtos nessa direção: o Google Duplex (que faz ligações em nome do usuário) e o Gemini com acesso a apps mostram que a infraestrutura está sendo construída há anos. O movimento é consistente com o que Microsoft, OpenAI e Perplexity estão fazendo — e sinaliza que a corrida por IA agêntica (sistemas que agem, não apenas respondem) vai definir os próximos anos do marketing digital.
O que muda na prática para quem anuncia
A estrutura atual do Google Ads é baseada em intenção expressa: o usuário digita uma palavra-chave, o sistema exibe anúncios, o clique gera o lead. Quando agentes de IA substituem o usuário nesse processo, o ponto de entrada muda completamente — e o modelo de pagamento por clique (CPC) provavelmente precisará ser reinventado.
| Modelo Atual (Busca Clássica) | Modelo Futuro (Busca Agêntica) |
|---|---|
| Usuário digita a query | Agente interpreta o objetivo |
| Google exibe links + anúncios | Agente seleciona fontes confiáveis |
| Usuário clica no anúncio | Agente executa a ação diretamente |
| Anunciante paga por clique (CPC) | Modelo ainda indefinido (pay-per-action?) |
| Ranking por lances + relevância | Ranking por autoridade + dados estruturados |
O impacto mais imediato: anúncios baseados em interrupção perdem relevância. O que ganha peso são feeds estruturados, APIs abertas para integração e dados verificáveis que um agente pode consumir diretamente. Quem investe em campanhas no Google Ads sem resultado e ainda não entende por que as conversões travam vai ter ainda mais dificuldade num modelo agêntico.
O que isso muda para SEO e visibilidade orgânica
O SEO já estava passando por uma transformação com o AI Overview — o bloco de resposta gerado por IA que aparece no topo dos resultados do Google desde 2024. Com agentes autônomos, a lógica muda ainda mais radicalmente: o agente não navega páginas como um humano. Ele consome dados estruturados.
Sites com estrutura técnica fraca, sem schema markup (código que explica ao Google o que cada elemento da página representa) ou sem autoridade de domínio consolidada vão desaparecer do radar dos agentes antes mesmo que o usuário final perceba. Em termos práticos: se o agente não consegue extrair informação confiável do seu site em frações de segundo, você não existe para esse sistema.
Para entender como posicionar seu negócio no modelo de busca baseado em entidades — que é a fundação do SEO agêntico —, vale revisar os princípios de entity SEO e como ranquear entidades em 2026.
Como preparar o seu negócio agora
A transição não será instantânea — Pichai não deu prazo, e mudanças de infraestrutura dessa escala levam anos para se consolidar. Mas as empresas que começarem a se posicionar agora terão vantagem competitiva quando o modelo se firmar. As ações mais prioritárias, em ordem de impacto:
- Implemente schema markup com JSON-LD — Use marcações estruturadas para identificar produtos, serviços, preços, localização e avaliações. É o idioma que os agentes de IA entendem.
- Abra um feed de dados ou API pública — Se você vende produtos ou serviços, uma forma de agentes consultarem disponibilidade e preços em tempo real vai ser decisiva nos próximos 2-3 anos.
- Invista em autoridade de domínio — Agentes vão priorizar fontes confiáveis e verificáveis. Reviews, backlinks e consistência de conteúdo continuam relevantes, talvez mais do que antes.
- Revise sua estratégia de conversão — O conceito de o que é conversão vai se expandir: a conversão pode ser uma ação que o agente executa sem o usuário estar presente.
- Monitore sua presença no Google AI Overview — Esse é o campo de testes atual. Aparecer no AI Overview hoje é um sinal de que seu conteúdo tem chance no modelo agêntico.
O que ainda não está definido
A declaração de Pichai levanta mais perguntas do que respostas sobre o modelo de monetização. O Google Ads gerou mais de US$ 175 bilhões em receita em 2024 — um modelo inteiramente dependente de cliques e impressões. Reconfigurar isso para um mundo sem cliques tradicionais é um desafio sem precedentes para a empresa.
Algumas hipóteses em discussão no mercado:
- Pay-per-action: anunciante paga quando o agente completa uma tarefa (reserva, compra, cadastro)
- API access fees: empresas pagam para ter seus dados disponíveis para os agentes do Google
- Sponsored agent routes: versão agêntica dos links patrocinados — o agente é direcionado para certas marcas em contextos específicos
Nenhum desses modelos está confirmado. O que está confirmado, pela boca do próprio CEO, é que a transformação está no roteiro. Quem otimizar apenas para o modelo atual sem olhar para o que vem por aí vai acordar tarde.
Fonte: Search Engine Journal
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.