SEO

Busca com IA favorece sites locais e muda a disputa por cliques no SEO

· Givanildo Albuquerque

A nova disputa por tráfego em AI search (busca com respostas geradas por inteligência artificial) está menos concentrada nas marcas globais do que muita empresa imaginava. Um levantamento com 87,6 milhões de visitas em 10 mercados mostrou que os cliques gerados por links citados pela IA frequentemente vão para domínios locais, operadores de infraestrutura e plataformas que resolvem a tarefa com mais precisão em cada país. Para quem depende de SEO (otimização para aparecer melhor nos buscadores), isso muda a leitura de concorrência: em vez de disputar apenas com gigantes internacionais, passa a ser obrigatório mapear sites regionais, marketplaces (plataformas que reúnem vários vendedores), portais oficiais e comparadores que a IA entende como fonte prática para responder. O efeito é direto no caixa: quem não aparece nessa camada de clique perde visibilidade justamente no momento em que o usuário chega mais perto da decisão.

O dado foi destacado pela Search Engine Journal com base em uma análise de Aleyda Solis usando dados da Similarweb. O estudo olhou para ecommerce, finanças e turismo em mercados como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, Holanda e Brasil.

O ponto mais importante não é apenas que a IA cita links. O ponto é para onde esses cliques estão indo e como isso muda a forma de pensar conteúdo, páginas de produto, autoridade local e presença em plataformas de terceiros.

VerticalTotal de cliques via IA em 10 mercadosMediana de domínios para alcançar 50% dos cliquesLeitura prática
Ecommerce39,3 milhões5 domíniosMercado mais concentrado e mais difícil de deslocar
Finanças30,7 milhões17 domíniosConfiança e marca local pesam mais
Turismo17,6 milhões47 domíniosEspaço mais aberto para especialistas e players regionais

O peso do local é real e o Brasil entra forte nessa conta

Sim, o local pesa mais do que muita operação internacional supõe, e o Brasil apareceu como um dos mercados mais relevantes fora dos EUA. No recorte total dos três setores, o país somou 6,7 milhões de cliques vindos de busca com IA, acima de França, Itália, Espanha, Austrália, Holanda e México.

No ecommerce brasileiro, o Mercado Livre liderou os cliques com 20,7% de participação, ficando à frente da Amazon Brasil. Isso importa porque mostra que a IA não escolhe automaticamente a marca mais famosa do mundo; ela tende a puxar o domínio que já concentra oferta, estoque, confiança e resposta mais útil para aquele contexto.

Para empresas brasileiras, isso reforça duas frentes ao mesmo tempo. A primeira é fortalecer o próprio site com páginas que respondam claramente à intenção do usuário; a segunda é tratar presença em plataformas dominantes como parte da estratégia de aquisição, não como canal secundário.

A concentração muda por setor e isso altera a estratégia

Não, não existe uma regra única para ganhar cliques na busca com IA, porque os números mudam muito por vertical. No ecommerce, bastam 5 domínios na mediana para capturar 50% dos cliques; em turismo, são 47, quase dez vezes mais.

Essa diferença muda a execução. Em operações de varejo, a disputa tende a ficar mais concentrada em marketplaces, grandes varejistas e páginas com inventário forte; em turismo, há mais espaço para sites especializados, operadores regionais e páginas de rota ou destino.

Para negócios que anunciam e também dependem de orgânico, isso pede leitura mais cuidadosa do funil. Se a campanha já sofre com tráfego caro e pouca conversão, vale revisar desde a campanha Google Ads sem resultado até a definição de o que é conversão, porque a tendência é o clique orgânico ficar mais seletivo e mais disputado.

Marca global ajuda, mas infraestrutura útil ganha clique

Não, tamanho de marca sozinho não garante liderança quando a IA precisa entregar resposta prática. O estudo cita casos em que líderes locais passaram na frente dos nomes globais, como Bol.com na Holanda com 17,9% no ecommerce, Mercado Livre no Brasil com 20,7%, Bahn.de na Alemanha com 6,4% em turismo e Lefrecce.it na Itália com 11,3%.

A leitura prática é simples: a IA premia quem tem dado utilizável, cobertura local e autoridade operacional. Em outras palavras, páginas com catálogo forte, informação atualizada, estrutura clara e entidade reconhecida têm mais chance de virar destino de clique do que páginas genéricas com texto superficial.

Isso conversa diretamente com o avanço de entity SEO, porque buscadores e sistemas de IA tendem a confiar mais em marcas, sites e instituições que ficam bem conectados a um tema, uma região e uma tarefa específica. Também aumenta o valor de conteúdo proprietário, fichas locais, FAQs e páginas que resolvem dúvidas com precisão.

O crescimento existe, mas ele vem com churn

Sim, a busca com IA está crescendo, mas o crescimento vem com churn (troca rápida de ganhadores e perdedores). A mediana de crescimento mensal dos 50 principais domínios foi de 20% no ecommerce, 25% em finanças e 29,1% em turismo.

Ao mesmo tempo, de 30% a 40% dos domínios do topo caíram em vários mercados e categorias. Isso significa que aparecer hoje não garante estabilidade no mês seguinte, então acompanhar apenas ranking tradicional ou volume bruto de visitas já não basta.

Para quem trabalha com mídia e SEO no mesmo negócio, a consequência é objetiva: páginas precisam ser atualizadas mais rápido, e testes de conteúdo devem rodar com mais frequência. Em contas que usam automação, também faz sentido revisar como usar IA para otimizar Google Ads e como reduzir CPL com IA, porque a qualidade da página de destino volta a pesar ainda mais quando a IA seleciona quem merece o clique.

O que fazer agora para não perder espaço

A resposta curta é agir por categoria e por mercado, não por achismo. O relatório mostra que o Reino Unido precisa de 129 domínios para concentrar 50% dos cliques de turismo, enquanto a Itália precisa de apenas 2 domínios para atingir metade dos cliques de ecommerce.

  1. Mapear quais domínios realmente recebem cliques no seu setor, incluindo marketplaces, comparadores e portais locais.
  2. Revisar páginas que resolvem intenção direta, como produto, serviço, preço, cobertura, localização e comparação.
  3. Melhorar sinais de confiança, como informações institucionais, políticas claras, dados estruturados e atualização recorrente.
  4. Separar estratégia por vertical, porque ecommerce, finanças e turismo têm padrões de concentração muito diferentes.
  5. Medir impacto em leads e vendas, não apenas em impressões ou posição média.

Quem vende pela internet não precisa vencer todos os gigantes. Precisa descobrir em quais consultas a IA procura uma resposta local, operacional e confiável, e construir presença exatamente ali.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.