IA & Marketing

Busca do Google acelera 19% e reforça que IA já está mudando SEO e mídia paga

· Givanildo Albuquerque

O Google fechou o 1º trimestre de 2026 com US$ 60,4 bilhões em receita em Search & Other, alta de 19% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto a Alphabet como um todo avançou 22% e chegou a US$ 109,9 bilhões. O dado importa porque derruba uma tese que circulava no mercado desde a chegada da busca com IA: a de que respostas automáticas iriam enfraquecer o principal motor de receita do Google no curto prazo. Pelo discurso da empresa, aconteceu o contrário: recursos como AI Overviews (resumos gerados por IA no topo da busca) e AI Mode (modo conversacional de busca com perguntas em sequência) estariam aumentando o uso da busca. Para quem depende de tráfego orgânico e mídia paga, o recado é simples: o jogo não saiu da busca, mas a forma de disputar atenção, clique e conversão dentro dela está mudando rápido.

O ponto central da notícia não é só financeiro. Quando o Google associa crescimento de receita diretamente ao avanço da IA dentro da busca, o mercado recebe um sinal estratégico: a empresa não trata mais IA como experimento de produto, mas como parte da máquina comercial que sustenta anúncios, cliques e novas jornadas de pesquisa.

Também vale separar crescimento real de narrativa corporativa. Houve alta forte, mas a própria empresa reconheceu ajuda cambial no trimestre, então o resultado não deve ser lido como prova automática de que toda mudança de IA melhora performance para todo anunciante.

IndicadorDado divulgadoLeitura prática
Receita de Search & OtherUS$ 60,4 bilhõesA busca segue sendo o centro da receita do Google
Crescimento anual da busca+19%IA não derrubou a demanda por pesquisa, pelo menos por enquanto
Receita total da AlphabetUS$ 109,9 bilhõesO grupo continua expandindo em ritmo forte
Crescimento total da Alphabet+22%Busca, nuvem e assinaturas avançaram juntas
Redução de latência-35% em 5 anosGoogle tenta manter rapidez mesmo com mais IA na página
Redução de custo das respostas com IA-30% desde Gemini 3A empresa está ficando mais eficiente para servir respostas automáticas
Assinaturas pagas350 milhõesO ecossistema de IA e produtos pagos também ganhou escala

A busca continua forte, e o número de US$ 60,4 bilhões mostra isso com clareza

Sim: o caixa da busca segue muito robusto. US$ 60,4 bilhões em um trimestre, com alta anual de 19%, mostram que o Google ainda consegue crescer mesmo enquanto muda a experiência do usuário dentro da própria página de resultados.

Para donos de negócio, isso reduz a chance de uma ruptura brusca no Google Ads no curto prazo. A plataforma vai continuar priorizando formatos e automações que mantenham resultado para o anunciante, porque a busca ainda é o coração da receita da empresa.

Na prática, isso favorece operações que medem resultado de ponta a ponta, e não só clique. Se a campanha já sofre com baixa eficiência, vale revisar campanha Google Ads sem resultado e retomar o básico de o que é conversão antes de culpar a IA pela queda de performance.

A IA já está mudando o comportamento de busca, e o Google quer provar isso com velocidade e custo

O Google está dizendo ao mercado que a IA aumenta uso, não só resposta pronta. Para sustentar essa tese, destacou dois números operacionais: latência (tempo de resposta) 35% menor em cinco anos e custo das respostas centrais de IA 30% menor desde a adoção do Gemini 3.

Isso é importante porque busca com IA só escala se continuar rápida e financeiramente viável. Se o Google consegue entregar mais resposta automática com menos custo, cresce a chance de AI Overviews e AI Mode ocuparem mais consultas, inclusive consultas comerciais e comparativas.

Para SEO (otimização para mecanismos de busca), o efeito não é apenas perder clique em busca informacional. O efeito maior é a disputa por presença nas respostas sintetizadas, por isso estratégias ligadas a entity SEO e featured snippet saúde ganham peso em setores competitivos.

Para quem anuncia, o recado é menos volume cego e mais intenção qualificada

A leitura mais útil para mídia paga é esta: o Google não está vendendo só inventário, está vendendo entendimento de intenção. Na mesma comunicação, a empresa destacou que o crescimento de Search & Other foi puxado principalmente por varejo e finanças, com saúde também contribuindo.

Quando a plataforma entende melhor consultas longas, contextuais e multimodais (que misturam texto, imagem, voz ou etapas), tende a valorizar campanhas mais bem estruturadas, com sinal claro de oferta, página e conversão. Isso combina com movimentos recentes de automação e reforça por que usar dados e IA na conta deixou de ser diferencial e virou requisito operacional, como já aparece em usar IA para otimizar Google Ads e reduzir CPL com IA.

O risco está em interpretar a automação como solução mágica. Se o Google amplia cobertura de consulta com IA, campanhas mal segmentadas também podem gastar mais rápido em buscas pouco qualificadas.

O que fazer agora para não reagir tarde

  1. Revisar termos de busca e páginas de destino para identificar consultas mais longas e comparativas, que tendem a crescer com IA.
  2. Medir conversão por etapa do funil (caminho até a venda), não só por clique ou CTR (taxa de cliques), porque a busca pode gerar menos cliques e mais intenção qualificada.
  3. Reforçar SEO em conteúdos que respondem perguntas com clareza, dados e contexto, sobretudo onde AI Overviews pode resumir a resposta.
  4. Testar campanhas com mensagens mais específicas por intenção, em vez de grupos amplos demais, para evitar desperdício com expansão automática.
  5. Acompanhar setores em que o Google já citou força comercial, como varejo, finanças e saúde, porque costumam receber mais inovação e pressão competitiva primeiro.

A notícia, portanto, não deve ser lida como “a IA salvou a busca” nem como “o SEO morreu”. O dado mais honesto é outro: o Google está conseguindo transformar IA em produto de uso recorrente sem abrir mão de crescimento de receita, e isso aumenta a pressão para anunciantes e marcas se adaptarem mais rápido do que antes.

Fonte: Search Engine Journal e Google

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.