SEO

Busca cresce para Google e Microsoft, mas o tráfego para sites segue pressionado

· Givanildo Albuquerque

Os resultados mais recentes de Alphabet e Microsoft mostram um mercado de busca ainda muito forte para quem vende anúncios, mas mais apertado para quem depende de visitas vindas do Google ou do Bing. A Alphabet informou que Google Search & Other faturou US$ 60,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, alta de 19% em um ano, enquanto a Microsoft disse que o Bing chegou a 1 bilhão de MAUs (usuários ativos mensais) e elevou sua receita de search advertising (publicidade em busca) em 12%. Ao mesmo tempo, a linha Google Network, que reúne AdSense, AdMob e Google Ad Manager, caiu para US$ 6,97 bilhões e ficou abaixo de US$ 7 bilhões pela primeira vez nesse ciclo. Na prática, o caixa das plataformas continua crescendo, mas o dinheiro e a atenção parecem circular cada vez mais dentro dos próprios ecossistemas, e menos para os sites que produzem conteúdo e capturam demanda fora das propriedades das big techs.

O ponto central da notícia não é apenas que Google e Microsoft cresceram. O sinal mais importante é que cresceram em áreas onde controlam a experiência, a medição e a monetização de ponta a ponta.

Para quem anuncia, isso muda a leitura de performance. Crescimento da busca não significa automaticamente mais cliques para o site, mais leads ou mais previsibilidade na jornada.

IndicadorGoogleMicrosoftO que isso muda
Receita de buscaUS$ 60,4 bilhões, +19%Receita de search ads +12%A busca continua vendendo mídia e intenção comercial
Rede externaGoogle Network em US$ 6,97 bilhõesNão é o foco do balançoMenos valor parece sair para publishers e apps terceiros
Alcance de produtoConsultas em “all-time high”Bing em 1 bilhão de MAUsPlataformas ampliam uso, mas nem todo uso vira clique externo
Participação de mercadoDominância segue amplaBing com cerca de 5,13% global em março de 2026Bing avança, mas ainda não muda a prioridade de investimento

Google continua forte, mas o crescimento está mais concentrado dentro da própria plataforma

Sim: o Google segue dominante, e o dado mais forte é o salto de 19% em Search & Other para US$ 60,4 bilhões. Só que a queda da Google Network para US$ 6,97 bilhões indica que a expansão não está sendo compartilhada na mesma proporção com sites e aplicativos fora do ambiente do Google.

Esse recado interessa direto ao negócio que anuncia. Se a busca responde mais consultas, mas envia relativamente menos valor para fora, a empresa precisa acompanhar com mais rigor métricas como conversão (ação desejada do usuário), taxa de lead qualificado e receita por campanha, e não só volume de clique.

Na prática, isso reforça um ponto que já aparece em operações que reclamam de campanha Google Ads sem resultado: olhar só para impressões, CTR (taxa de cliques) ou custo por clique virou pouco. O que decide orçamento agora é a capacidade de transformar tráfego em venda ou oportunidade comercial real.

Para SEO (otimização para mecanismos de busca), o alerta é parecido. Se o Google mantém a busca aquecida, mas concentra mais a experiência dentro da própria página com AI Overviews (resumos gerados por IA no topo da busca), a disputa deixa de ser apenas por posição e passa a ser por presença útil, autoridade temática e clareza de resposta, algo que conversa diretamente com estratégias de entity SEO.

O Bing cresce, mas ainda não justifica inverter a prioridade da estratégia

Não: os números da Microsoft são bons, mas ainda não mudam a hierarquia do mercado. O Bing chegou a 1 bilhão de MAUs e a receita de search ads subiu 12%, porém sua fatia global em março de 2026 ficou em cerca de 5,13%, muito longe da escala do Google.

O dado relevante aqui não é “abandonar Google e correr para Bing”. O dado relevante é entender que existe uma segunda frente ganhando maturidade, especialmente para empresas B2B, serviços com ticket mais alto e públicos de desktop, onde a presença do ecossistema Microsoft costuma ser mais forte.

Também existe um ponto estratégico pouco comentado: a Microsoft está avançando em ferramentas de medição ligadas à busca com IA, incluindo sinais de citações e visibilidade. Para quem trabalha conteúdo e geração de demanda, isso pode virar uma vantagem competitiva antes mesmo de representar grande volume.

Em outras palavras, Bing ainda não merece a maior parte do orçamento, mas merece estar no plano de testes. Negócios que ignorarem essa frente podem perder um canal menor em volume, porém mais barato e menos disputado em alguns nichos.

O impacto real para quem anuncia é medir melhor e depender menos de vaidade de canal

O principal efeito prático é este: não dá mais para confundir crescimento da plataforma com crescimento do anunciante. Se Google e Microsoft capturam mais valor dentro das próprias interfaces, o anunciante precisa ficar mais disciplinado na leitura de funil e na comparação entre canal, criativo, página e oferta.

Isso vale para mídia paga e orgânica. Em vez de discutir só tráfego, a conversa correta passa a ser: quantas visitas viram contato, quantos contatos viram proposta, e quais páginas conseguem capturar intenção mesmo quando a busca entrega mais resposta antes do clique.

Uma forma objetiva de reagir é seguir esta sequência:

  1. Revisar campanhas com foco em conversão final, não só em clique ou formulário aberto.
  2. Separar relatórios por intenção de busca, porque consulta informativa e consulta comercial tendem a responder de forma diferente à IA na SERP (página de resultados).
  3. Testar páginas mais específicas por produto, dor ou localização, em vez de mandar todo tráfego para uma página genérica.
  4. Manter um teste controlado em Bing Ads, mesmo com verba menor, para comparar custo e qualidade do lead.
  5. Reforçar conteúdo que responde perguntas com precisão e linguagem simples, principalmente em temas onde snippet (resposta destacada do Google) e resumo de IA podem filtrar cliques.

Para quem opera Google Ads, isso combina com o uso de automação e IA na otimização das campanhas, desde que com controle de meta e leitura de negócio. O caminho mais seguro é usar tecnologia para reduzir desperdício, como em estratégias de usar IA para otimizar Google Ads e reduzir CPL com IA, mas sem terceirizar o raciocínio.

O que observar nos próximos meses

A resposta curta é: tráfego externo, qualidade do lead e participação real das respostas com IA. O mercado ganhou números fortes de receita, mas ainda não ganhou transparência suficiente sobre quanto dessas interações vira visita útil para os sites.

Enquanto essa resposta não vem, a leitura mais prudente para donos de negócio é simples. A busca continua viva e muito rentável para as plataformas, mas o trabalho de converter essa demanda em resultado ficou mais técnico, mais concorrido e menos dependente de métricas superficiais.

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.