IA & Marketing

Anúncios no ChatGPT: marcas testam mas dados escassos travam decisão de escala

· Givanildo Albuquerque
Anúncios no ChatGPT: marcas testam mas dados escassos travam decisão de escala

O ChatGPT abriu espaço para anúncios pagos e as primeiras marcas já estão testando o formato — mas a cautela domina. A OpenAI começou a exibir publicidade nativa (anúncios integrados diretamente às respostas do chatbot) dentro da plataforma, atraindo interesse de anunciantes globais dispostos a explorar o canal antes da concorrência. O problema central é a escassez de dados: sem benchmarks (referências de desempenho) consolidados para CPL (custo por lead), CTR (taxa de clique) ou ROAS (retorno sobre gasto em publicidade), não há como saber se o investimento vai se pagar. Os formatos ainda evoluem semana a semana, o público-alvo segue indefinido e as regras de segmentação mudam antes que qualquer campanha gere volume suficiente para análise. Para donos de negócio no Brasil, a janela existe — mas entrar agora significa aceitar a incerteza como parte do contrato.

A OpenAI confirmou que está testando anúncios em algumas regiões, provavelmente em parceria com marcas selecionadas. O movimento segue uma lógica clara: com mais de 100 milhões de usuários ativos mensais, o ChatGPT tem audiência suficiente para atrair verba publicitária. A questão ainda aberta é qual modelo comercial vai se consolidar.

Os formatos relatados até agora incluem recomendações patrocinadas dentro das respostas e links de produtos contextuais. Nenhum dos dois tem precedente direto no mercado brasileiro, o que torna difícil extrapolar experiências do Google Ads ou Meta.

O que diferencia publicidade em chatbot de publicidade em buscador

O Google Ads funciona sobre intenção explícita: alguém digita “plano de saúde SP” e vê anúncios relacionados. O ChatGPT opera em intenção implícita: o usuário descreve um problema e o chatbot interpreta o que precisa, potencialmente inserindo uma recomendação paga na resposta.

Essa diferença muda tudo na mensuração. No buscador, o clique é o dado. No chatbot, o engajamento com a resposta é mais difuso — e rastrear se um anúncio integrado gerou conversão (venda, cadastro, contato) exige uma camada de atribuição que ainda não existe de forma padronizada.

CritérioGoogle AdsAnúncios ChatGPT (atual)
Intenção do usuárioExplícita (palavra-chave)Implícita (contexto da conversa)
FormatoTexto, display, shoppingRecomendação nativa, link contextual
Benchmarks disponíveisExtensos (CPL, CTR, ROAS históricos)Quase inexistentes
SegmentaçãoGeográfica, demográfica, comportamentalEm desenvolvimento
Rastreamento de conversãoMaduro (Google Tag, GA4)Em construção

Por que grandes anunciantes ainda estão em modo de teste

Agências globais relatam que o orçamento alocado para ChatGPT Ads representa menos de 5% do total digital de seus clientes. Não é ceticismo — é gestão de risco. Quando não há dados históricos, o padrão de mercado é alocar uma verba de exploração, medir o que for possível e escalar apenas com evidência.

O problema adicional é a volatilidade dos formatos. Uma campanha construída para um tipo de inserção pode se tornar obsoleta se a OpenAI mudar a forma como os anúncios aparecem. Isso já aconteceu com Early Adopters (primeiros usuários) de Google Shopping e Meta Advantage+ — ambos sofreram reformulações que exigiram reconstrução de estratégia do zero.

Para quem já sofreu com campanhas que não entregam resultado, essa instabilidade é familiar. Uma campanha Google Ads sem resultado frequentemente começa exatamente assim: produto novo, métricas novas, sem base de comparação.

O que faz sentido fazer agora

Se há interesse em explorar o canal, o caminho racional segue uma ordem específica:

  1. Monitorar antes de investir — acompanhar publicações de agências internacionais sobre os primeiros dados de CPL e CTR dos testes em andamento
  2. Mapear comportamento do público — verificar se o produto ou serviço é o tipo de coisa que usuários do ChatGPT pesquisam ativamente
  3. Preparar rastreamento — pixels e eventos de conversão precisam estar configurados antes do primeiro real investido em qualquer canal novo
  4. Definir teto de exploração — se for testar, separar menos de 10% do orçamento digital especificamente para o canal, com prazo e métricas de saída definidos
  5. Comparar com canais estabelecidos — só vale escalar se o CPL no ChatGPT for competitivo com o que já funciona no Google ou Instagram

Quem já usa IA para otimizar Google Ads tem vantagem nessa transição: já entende como ferramentas baseadas em linguagem interpretam intenções de busca, o que facilita adaptar criativos para o formato conversacional do ChatGPT.

O risco de entrar cedo demais — e o custo de chegar tarde

O mercado de buscas demorou anos para consolidar formatos de anúncio que realmente convertem. O Google Ads atual — com smart bidding (lances automáticos baseados em IA), RSA (anúncios de pesquisa responsivos) e Performance Max — é resultado de duas décadas de iteração.

O ChatGPT está no início desse ciclo. Entrar agora tem valor de aprendizado, mas não de escala. A vantagem de quem testa primeiro é entender o canal antes da concorrência — mas só se houver rigor na análise dos dados disponibilizados.

O risco de ignorar completamente é chegar ao canal quando ele já estiver saturado e os CPLs mais altos. Esse é o mesmo padrão do Instagram Ads entre 2016 e 2019: quem testou cedo pagou menos e aprendeu mais.

Fonte: Search Engine Land

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.