Anúncios no ChatGPT geram clique forte, mas ainda não provaram escala
Os primeiros dados de anúncios no ChatGPT apontam um sinal claro: há atenção do usuário e intenção comercial real, mas ainda falta volume para transformar isso em canal previsível de aquisição. Segundo a cobertura do Search Engine Land com base em dados iniciais da Similarweb, consultas com intenção forte de compra, como Dia das Mães, chegam a acionar anúncios cerca de 3 vezes mais do que a média, enquanto o CTR (taxa de cliques) inicial aparece acima de formatos como display e próximo ou acima de podcast, dependendo do recorte. O ponto decisivo para quem anuncia não é se o formato chama clique, e sim se ele sustenta custo, entrega de inventário (volume disponível de anúncios) e conversão suficiente para virar verba recorrente. Hoje, a leitura mais útil é simples: o ChatGPT já merece teste controlado, mas ainda não merece confiança cega de orçamento.
O que aconteceu foi uma combinação de novidade de produto com contexto de compra muito forte. Os anúncios aparecem dentro da experiência conversacional, próximos da resposta, o que reduz a sensação de interrupção e pode explicar parte do engajamento inicial.
Ao mesmo tempo, esse desempenho ainda vem de testes pequenos, com baixa oferta de inventário e pouca maturidade de mensuração. Em mídia, isso costuma inflar resultados no começo e pressionar performance quando mais anunciantes entram no leilão.
| Indicador | Sinal inicial | O que isso quer dizer na prática |
|---|---|---|
| CTR no ChatGPT | 0,68% na média, com pico de 5,4% em casos específicos | Há atenção acima de display, mas pico não é padrão |
| Display tradicional | Cerca de 0,35% | ChatGPT pode capturar mais clique em contexto de intenção |
| Podcast | Faixa de 0,5% a 1% | ChatGPT já compete com formatos de awareness (alcance e lembrança) mais engajados |
| Consultas de Dia das Mães | 3x mais exposição de anúncios que a média | Intenção de compra pesa mais do que volume bruto |
| Consultas únicas que acionam anúncio | 83% | O canal abre demanda pouco previsível por listas de palavras-chave |
O clique é promissor, mas 0,68% de CTR não fecha a conta sozinho
Sim, o desempenho inicial chama atenção: o CTR (taxa de cliques) médio de 0,68% ficou acima do display, estimado em 0,35%, e perto da faixa de podcast, entre 0,5% e 1%. Isso mostra que a interface conversacional pode capturar curiosidade e intenção melhor do que formatos passivos.
O erro seria ler esse número como prova de resultado final. Clique sem conversão consistente ainda é só tráfego, e tráfego caro em canal novo costuma punir quem entra sem meta clara.
Para empresas acostumadas com Google Ads, o parâmetro certo não é apenas CTR, mas custo por lead, taxa de fechamento e velocidade de aprendizado. Se a operação já sofre com campanha Google Ads sem resultado, migrar verba para um canal ainda imaturo tende a aumentar a confusão, não a resolver o problema.
A grande vantagem está na intenção, e o dado de 3x em Dia das Mães explica isso
A resposta curta é: ChatGPT parece premiar momentos de intenção comercial muito clara. No recorte citado pelo Search Engine Land, prompts ligados ao Dia das Mães mostraram cerca de 3 vezes mais exposição de anúncios do que a média.
Isso importa porque a conversa em IA não nasce sempre com intenção de compra, mas pode evoluir para ela. A Similarweb afirma que 46% dos usuários que começam uma conversa sem intenção comercial desenvolvem sinais de compra até o fim, enquanto 41% dos momentos com anúncio são puramente de pesquisa.
Na prática, isso favorece categorias em que o usuário compara opções, pede sugestões e quer atalho de decisão. Negócios com oferta consultiva, ticket médio maior ou jornada mais longa podem se beneficiar mais se alinharem criativo, landing page e automação, algo próximo do que já faz sentido em usar IA para otimizar Google Ads.
O problema real é escala, porque bom formato sem inventário não vira canal
O gargalo mais relevante não é criativo, é distribuição. Se o inventário ainda é limitado, o anunciante pode até ver bons sinais em grupos pequenos, mas sem consistência para subir orçamento com segurança.
Esse é o ponto central da notícia: o mercado já enxerga potencial, porém ainda não sabe se o canal aguenta volume sem perder eficiência. Também pesa a ausência de histórico sólido de CPM (custo por mil impressões), CPC (custo por clique) e taxa de conversão comparável ao que já existe em busca paga.
Outro detalhe relevante é que 83% das consultas que acionam anúncio no ChatGPT são únicas, segundo a Similarweb. Isso reduz a utilidade de pensar só em lista de palavras-chave e aumenta a importância de entender contexto, intenção e categoria, algo que também conversa com estratégias de entity SEO para marcas que querem aparecer melhor em ambientes de IA.
Como testar sem transformar novidade em desperdício
- Separar uma verba pequena de aprendizado, sem tirar orçamento de campanhas que já vendem.
- Escolher ofertas com intenção alta, como datas sazonais, comparação de serviço ou produto com urgência.
- Medir primeiro custo por lead e qualidade do lead, não apenas CTR.
- Criar página de destino simples, com mensagem alinhada à pergunta que originou o anúncio.
- Comparar o teste com busca paga e social no mesmo período, usando a mesma definição de conversão.
O resumo executivo é direto: existe sinal de mercado, mas ainda não existe prova de escala. Para dono de negócio, isso significa testar cedo para aprender, mas continuar tratando Google e Meta como base principal até o ChatGPT mostrar volume, previsibilidade e retorno repetível.
Fonte: Search Engine Land e Similarweb
CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago
CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.