SEO

90% das marcas não aparecem em buscas de IA: 4 insights do estudo Victorious

· Givanildo Albuquerque

Um estudo da agência Victorious analisou milhares de marcas e descobriu que 90% delas não aparecem em nenhuma menção de buscadores baseados em IA como ChatGPT, Perplexity e Google AI Overviews. A pesquisa identificou quatro fatores de SEO que separam as marcas citadas pelos LLMs (large language models, os modelos por trás dos chatbots) das completamente ignoradas: presença em fontes de alta autoridade, conteúdo estruturado em formato de resposta direta, citações de terceiros consistentes e entidades bem definidas no Knowledge Graph (banco de dados estruturado do Google sobre pessoas, empresas e produtos). Para donos de negócio, o recado é direto: ranquear no Google tradicional já não basta, porque se a marca não estiver nas fontes que os modelos de IA consultam para gerar respostas, ela deixa de existir para o consumidor que pergunta direto ao chatbot — e essa fatia do tráfego cresce mês a mês.

A análise foi conduzida pela Victorious, agência de SEO americana, e publicada pelo Search Engine Journal. Os pesquisadores compararam marcas que aparecem com frequência em respostas geradas por IA contra marcas nunca mencionadas, cobrindo setores como saúde, finanças, varejo e serviços B2B.

O dado mais alarmante: apenas 10% das marcas analisadas apareceram em alguma resposta de IA durante o período da pesquisa. Os outros 90% têm presença orgânica no Google, mas são invisíveis para usuários que consultam ChatGPT, Perplexity ou Gemini.

Fator de SEO para IAMarcas citadasMarcas ignoradas
Menções em sites de alta autoridadeMédia de 47 por marcaMédia de 3
Conteúdo em formato pergunta-resposta78% dos sites12% dos sites
Citações de terceiros (PR/imprensa)Frequentes e diversasRaras ou inexistentes
Entidade definida no Knowledge Graph84% das marcas9% das marcas

1. Presença em fontes de alta autoridade é decisiva

Marcas citadas pela IA aparecem em média em 47 fontes externas de alta autoridade, contra apenas 3 das ignoradas. LLMs treinam e buscam respostas em sites com forte reputação editorial — Wikipedia, Forbes, mídia especializada do setor, associações de classe e bases de dados governamentais.

Não basta ter um blog próprio bem otimizado. A marca precisa ser citada POR terceiros que a IA considera confiáveis. Isso transforma o trabalho de consultoria SEO em uma disciplina próxima do RP digital, com foco em parcerias editoriais, guest posts em veículos de autoridade e ativos de imprensa replicáveis.

2. Conteúdo em formato de resposta direta domina

78% das marcas citadas estruturam conteúdo em formato pergunta-resposta, contra apenas 12% das ignoradas. O motivo é técnico: LLMs extraem trechos curtos e auto-contidos para compor respostas, e texto longo sem estrutura clara passa despercebido.

A regra prática é começar cada bloco com a resposta direta à pergunta que o usuário faria. Depois, expandir com contexto, dados e exemplos. Esse mesmo formato é o que faz uma página ganhar featured snippet em buscas de saúde e outras posições zero no Google tradicional.

Passos para reestruturar conteúdo existente:

  1. Liste as 10 perguntas mais comuns que clientes fazem antes da compra
  2. Crie um H2 com a pergunta exata, sem reformular
  3. Responda em 1-2 frases logo abaixo do H2
  4. Expanda com contexto, dados e exemplos no parágrafo seguinte
  5. Inclua uma tabela ou lista numerada por seção

3. Citações de terceiros movem o ponteiro

Marcas citadas pela IA têm imprensa, parcerias e menções editoriais frequentes em pelo menos 6 veículos por trimestre. Citações de terceiros — entrevistas, reportagens, comentários em artigos — funcionam como sinal de relevância para o algoritmo dos LLMs e reforçam a entidade da marca.

Donos de pequeno negócio podem trabalhar isso de forma orgânica. Aceitar entrevistas em podcasts de nicho, escrever artigos como convidado em veículos do setor, participar de pesquisas de mercado citadas pela imprensa e responder a plataformas como Connectively (antigo HARO), onde jornalistas buscam fontes especializadas.

4. Entidade no Knowledge Graph é pré-requisito

84% das marcas citadas pela IA têm entidade definida no Knowledge Graph do Google, contra apenas 9% das ignoradas. Isso significa que o Google sabe o que a marca É (empresa, profissional, produto), o que ela FAZ e como ela se relaciona com outras entidades do setor.

Construir presença de entity SEO hoje é estratégico. Sem entidade reconhecida, a IA não identifica a marca como referência consistente, mesmo quando há tráfego orgânico.

Como começar a adequação na prática:

  1. Audite a presença da marca no ChatGPT e Perplexity hoje, com 5 perguntas reais do seu nicho
  2. Liste os 10 sites de maior autoridade do setor para mapear oportunidades de menção
  3. Estruture o blog em formato pergunta-resposta nos próximos 30 dias
  4. Mapeie oportunidades de PR e parcerias editoriais com pauta clara
  5. Implemente schema markup de Organization, Person e LocalBusiness no site
  6. Cadastre e mantenha NAP (nome, endereço, telefone) consistente em diretórios setoriais

Fonte: Search Engine Journal

CEO @leadmarkbr · Especialista em SEO e Tráfego Pago

CEO da LeadMark desde 2012. Mais de 15 anos em Google Ads, SEO/GEO e Meta Ads. Gero +60k leads/mês para 30 mil corretores de planos de saúde em todo o Brasil. Certificado Google Ads Search. Palestrante em eventos de marketing digital.