Três verdades amargas que todo profissional de marketing precisa ouvir

Três verdades amargas que todo profissional de marketing precisa ouvir
Três verdades amargas que todo profissional de marketing precisa ouvir

Você sabia que marketing vai muito além de simplesmente gerar receita? Neste artigo, vamos explorar três verdades amargas que todo profissional da área precisa ouvir para realmente fazer a diferença.

Três verdades amargas que todo profissional de marketing precisa ouvir

Recentemente, me deparei com uma afirmação que me fez vibrar: “O trabalho do marketing não é gerar receita”. Essa frase, dita por Moni Oloyede, fundadora e educadora da MO MarTech, ressoa profundamente com uma visão mais estratégica e menos imediatista do nosso campo. Moni, que vem da mesma cidade de figuras como Edward Norton e Druski, tem uma perspectiva única e, por vezes, “amarga” sobre o que realmente importa no marketing. Prepare-se para algumas verdades que podem mudar sua forma de pensar.

Marketing não é sobre receita

Pode parecer um choque para muitos, especialmente para os CMOs, mas focar apenas na receita pode ser um tiro no pé. Moni Oloyede explica que, quando o foco é só o dinheiro, o marketing vira uma “chuva de espaguete na parede” — você tenta de tudo, pula de um tópico para outro, só para ver o que cola. Essa busca por resultados instantâneos, muito comum na era digital, fez com que muitos profissionais perdessem a base do que é marketing de verdade.

Ela mesma, que cresceu no marketing digital, percebeu na pós-graduação que estávamos mais preocupados em gerar conteúdo e leads do que em construir relacionamentos, comunicar de forma eficaz e criar afinidade com o público. É como tentar servir a dois mestres: se você serve ao CEO, o foco é receita; se serve ao cliente, precisa de paciência e de um ritmo mais lento. O verdadeiro marketing, aquele que constrói pontes duradouras, exige tempo e dedicação para além dos números imediatos.

Demand gen não é estratégia

A palavra “estratégia” é frequentemente mal utilizada no nosso meio, e Moni Oloyede é categórica: “Demand gen não é uma estratégia. Demand gen é a execução de uma estratégia”. Pense na campanha “Real Beauty” da Dove. Não foi uma ação isolada, mas uma história consistente e de vários anos, baseada na psicologia do consumidor — a insegurança das mulheres com os padrões de beleza. Isso, sim, é uma estratégia.

Uma campanha de marketing típica, que escolhe um tema, cria conteúdo e bombardeia leads com e-mails até eles “morrerem”, não é estratégia. É tática. Uma estratégia de verdade, como a que Moni descreve, começa com a escuta da audiência. Por exemplo, se o público tem medo de adotar um novo software por falta de recursos, a campanha deve combater essa mensagem. Ela deve ser planejada para durar um ano, com métricas claras (como testes de software), metas para seis meses, ajustes se necessário e um plano de expansão com mais investimento se as metas forem batidas. Só depois de tudo isso é que se parte para a execução.

É um processo lento, trabalhoso e que exige esforço. Mas, em um cenário onde a inteligência artificial permite que a concorrência inunde os canais com conteúdo genérico, essa abordagem estratégica e autêntica é a única forma de realmente se destacar.

Tecnologia deve vir em segundo lugar

Moni Oloyede enfatiza que a tecnologia não é a solução para todos os problemas de marketing. “As pessoas pensam que sou anti-tecnologia. Não sou. [A tecnologia] está apenas fora de ordem”, ela explica. Ferramentas como IA, softwares de análise ou até mesmo o CRM são apenas instrumentos para executar, gerenciar e operacionalizar tarefas. O “porquê” por trás dessas tarefas precisa vir primeiro.

Se você não entende seu mercado, não tem confiança na sua mensagem ou não compreende seu público em níveis psicológicos, emocionais e culturais, então é preciso voltar à estaca zero. A tecnologia só funciona quando apoia bons princípios de marketing. E mesmo com as ferramentas no lugar, o toque humano é insubstituível. Em vez de apenas enviar leads para uma campanha automatizada de 10 e-mails, que tal convidá-los para um grupo de foco íntimo ou um evento exclusivo? Um contato face a face pode aumentar significativamente a probabilidade de eles abrirem seus e-mails e se conectarem com sua marca.

No fim das contas, a sabedoria antiga do marketing ainda é a mais verdadeira: “Pessoas compram de pessoas. Pessoas compram de pessoas de quem gostam, em quem confiam, com quem têm uma conexão”. E é exatamente isso que o marketing deve fazer.