Desmistificando a Confiança: O Que Líderes Precisam Saber

Desmistificando a Confiança: O Que Líderes Precisam Saber
Desmistificando a Confiança: O Que Líderes Precisam Saber

Você já parou para pensar sobre como a confiança impacta sua liderança? Neste artigo, vamos explorar os mitos e verdades sobre a confiança no ambiente corporativo, ajudando você a se tornar um líder mais eficaz.

Líderes de Ponta e a Confiança: Desvendando Mitos Essenciais

Até mesmo os executivos mais experientes e bem-sucedidos podem ter ideias erradas sobre o que realmente significa ter confiança. A verdade é que a confiança genuína é mais sutil do que muitos imaginam. Ela não surge de um pensamento ou de um sucesso externo, mas sim de um olhar para dentro, de uma honestidade consigo mesmo e de uma abertura constante para crescer.

Como coach de confiança certificado, com foco em práticas informadas sobre trauma, tive a oportunidade de trabalhar com conselheiros de alto nível para figuras como Mark Zuckerberg, Sheryl Sandberg e Reed Hastings. Essas pessoas, que podem mover mercados e impactar bilhões, ainda enfrentam desafios com a confiança e a temida síndrome do impostor, sempre com o receio de serem “descobertas”.

Muitas vezes, eles não buscam “ser mais confiantes” diretamente. No entanto, suas dificuldades — como influenciar em níveis executivos, lidar com relações complexas ou se posicionar diante de seus superiores — estão ligadas a uma lacuna de confiança. Ao abordarmos esses desafios e como serem mais eficazes no trabalho, percebem que carregam muitas ideias equivocadas sobre a confiança executiva. Vamos explorar esses mitos.

Mito 1: Confiança é sinônimo de voz alta

Para ser admirado, confiável e realmente influenciar outras pessoas, não é preciso falar muito ou em voz alta. Lembro-me de um executivo que me pediu para analisar a transcrição de uma reunião de liderança sênior. A pessoa de maior cargo na sala falou apenas duas ou três vezes em mais de uma hora, mas conseguiu mudar completamente o rumo da conversa. Ela era confiante e sabia exatamente quando sua voz teria o maior impacto.

Líderes frequentemente confundem o volume da voz com a confiança. Eles acreditam que precisam falar mais para serem vistos como confiantes. A realidade é que as pessoas mais poderosas são, muitas vezes, as mais silenciosas no ambiente. Elas dominam a arte de saber quando se manifestar e o que dizer para gerar o máximo de efeito. Para aprofundar, veja como dominar a arte de ser ouvido e 6 maneiras de construir uma confiança inabalável nos negócios.

Mito 2: Confiança é o mesmo que carisma

Existe uma diferença clara entre ser charmoso e ser influente. Embora o charme possa funcionar em certas situações, ele não leva a uma confiança real e duradoura como líder. Isso é ainda mais evidente à medida que as empresas adotam a inteligência artificial e a tecnologia, buscando dados para embasar suas decisões.

Claro, pode ser útil simular a confiança para sentir como ela se manifesta no corpo. Mas “fingir até conseguir” não é confiança verdadeira. Na verdade, pode ter o efeito contrário, fazendo você parecer inautêntico. O carisma pode ser visto como uma performance, enquanto a confiança é algo que você internaliza e incorpora.

Mito 3: A confiança nasce dos resultados

Perdi a conta de quantas vezes ouvi líderes dizerem algo como: “Serei confiante quando…”. Eles geralmente acreditam que, ao alcançar um certo cargo ou reconhecimento — um alvo que está sempre em movimento —, finalmente se sentirão confiantes.

Embora não haja nada de errado em conquistas externas impulsionarem sua confiança, buscar provas externas constantemente te mantém dependente da aprovação alheia. Em vez de terceirizar sua confiança, pense em como encontrá-la dentro de si. Uma maneira rápida de começar é fazer uma lista do que te qualifica para sua função, junto com as evidências que comprovam isso. Este segundo passo é crucial para combater a síndrome do impostor, pois ajuda a internalizar seus sucessos, em vez de atribuí-los à sorte ou ao acaso.

Mito 4: Confiança elimina qualquer dúvida

A confiança não é uma solução mágica. Por mais que você deseje, seus sentimentos de dúvida não desaparecerão completamente ao fortalecer sua autoconfiança ou ao lidar com a síndrome do impostor. Sim, você pode se sentir mais seguro em sua capacidade de tomar decisões e minimizar arrependimentos, mas é provável que você duvide de si mesmo de tempos em tempos.

A verdade é que os líderes mais confiantes também são humildes e curiosos. Eles percebem que estão em constante aprendizado e questionamento. Já coachei executivos das maiores empresas de tecnologia do mundo, que gerenciam orçamentos multibilionários e impactam milhares de funcionários. Descobri que, quanto mais confiantes eles são, mais abertos estão a feedbacks, aprendizado e crescimento. Eles reconhecem que a confiança não é a ausência de dúvida, mas a capacidade de continuar agindo, apesar dela. Se você está preso no “e se não funcionar?”, faça a si mesmo estas 3 perguntas.

Mito 5: A confiança é um estado permanente

Muitos líderes acreditam que, uma vez que se sentem confiantes, essa sensação durará para sempre. Eles pensam que, ao alcançá-la, seu trabalho estará concluído.

A realidade é que a confiança é um sentimento que varia em intensidade. Ela também pode ser afetada por colegas e chefes difíceis, reestruturações, demissões e transições de vida. Construir confiança é como construir um músculo. Requer esforço consistente e se deteriorará se você não o exercitar.

No fim das contas, a confiança é algo complexo. Não se trata de ser barulhento e carismático, ou de depender de títulos para se sentir digno. É sobre saber quando falar, internalizar suas conquistas e permanecer aberto ao aprendizado. São esses elementos que constroem seu “músculo da confiança” e o mantêm forte ao longo de sua carreira e vida. Você consegue!